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É possível escalar, de maneira segura, quatro atacantes na Seleção Olímpica?

Confira como o Brasil poderia contar com Neymar, Gabigol, Gabriel Jesus e Luan em campo… sem parecer uma loucura


GOAL Por Tauan Ambrosio 


A Seleção Olímpica já está com uma espinha dorsal formada. Nos treinos realizados até aqui, o técnico Rogério Micale colocou em campo um time postado em um 4-2-3-1 com muita movimentação e variações para o 4-3-3. A primeira linha defensiva parece definida, assim como o ataque: Gabigol, Gabriel Jesus e Neymar sempre começam as atividades no time titular.

No entanto, o desempenho de Luan também tem agradado. O atacante do Grêmio costumeiramente vem sendo testado. A mudança de Micale é tirar o meia-atacante Felipe Anderson para colocar o camisa 7, e o próprio treinador deu a entender que pode escalar o Brasil baseado na numeração dos jogadores (confira aqui): ou seja, com quatro atacantes.

Mas será que é seguro usar o 4-2-4? Esse mesmo sistema ajudou o Brasil a conquistar o mundo pela primeira vez, na Copa de 1958. De lá para cá, muita coisa mudou no ‘Esporte Rei’. Entretanto já naquela época o sistema apresentava variações importantes. Naquele time de Pelé e Garrincha, Zagallo fazia uma função vital. Não era só ponta-esquerda: voltava para recompor o meio de campo e dava grande equilíbrio defensivo para o selecionado de Vicente Feola.

Jesus, Gabigol, Neymar e Luan recebem instruções (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Na equipe que vai em busca do ouro olímpico nos Jogos de 2016, é difícil imaginar um time titular com os quatro atacantes. É mais fácil guardar essa opção para um momento específico de uma partida. Mas a possibilidade existe, e as características dos atacantes mostram que não é uma tarefa impossível. Muito menos irresponsável. E é exatamente isso que Micale vem trabalhando nas atividades.

A começar pelo discurso do treinador, que vem batendo muito na tecla do equilíbrio entre os setores e nas fases do jogo (defesa, ataque e transições defesa/ataque). Em entrevistas coletivas, os convocados mostram estar em sintonia com o pedido de Micale: “é atacar com 11 e defender com 11”. No coletivo realizado quarta-feira (27), ainda na Granja Comary, era nítido o esforço dos atacantes na pressão à saída de bola adversária.

Até porque, é mais fácil fazer um gol roubando a bola dos oponentes já no campo de ataque. Ou seja: uma boa defesa começa com um bom ataque… e um bom ataque fica melhor ainda quando os seus jogadores mostram bom entendimento, também, de como defender.


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No Barcelona, Neymar mostrou evolução no combate aos adversários. Foram 28 desarmes realizados no Campeonato Espanhol, mais do que qualquer outro jogador de ataque da equipe catalã. O astro da Seleção Brasileira segue sempre na ponta-esquerda no esquema de Micale, e do outro lado está Gabigol.

O ponto central para explicar por que é possível escalar os quatro atacantes está nas características de Gabriel Jesus e Luan.

(Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

Artilheiro do Brasileirão, com 10 gols em 14 jogos, Gabriel Jesus tem sido a referência neste ataque de constantes movimentações. E por estar sempre girando, o palmeirense apresenta bons números defensivos no Campeonato Brasileiro: é o atacante que mais participa de disputas (284) e o que mais leva a melhor (117) considerando os jogadores com o mínimo de dez partidas.

Jesus também é quem mais rouba a bola em divididas (24) dentre os atacantes.

(Foto: Lucas Uebel/ Grêmio)

Já Luan também apresenta bons números, e é líder em recuperações (87) de bola seguindo as mesmas especificações de Gabriel Jesus (atletas com mínimo de dez jogos no Brasileirão 2016). O camisa 7 do Grêmio e Seleção Olímpica talvez seja, ao lado de Neymar, o atleta que pode jogar nas mais diferentes posições do ataque. E com a vantagem de se mostrar mais à vontade voltando para buscar o jogo com os volantes.

Confira alguns dos mapas de calor de Gabriel Jesus e Luan no Brasileirão. Eles transitam não apenas no terço final, mas também podem ajudar no combate aos adversários pelo meio.

Gabriel Jesus: movimentações constantes no campo de ataque (Foto: Opta)

No ataque, Luan pode recuar pelo centro e se aproxima dos volantes (Foto: Opta)

Com quatro atacante em campo, podemos imaginar uma movimentação constante de Gabriel Jesus e Luan pelo meio, com o gremista voltando mais para recompor o meio: transformando o 4-2-4 da fase ofensiva em um 4-2-3-1 na etapa defensiva.


Fonte: Goal.com

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