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Editorial: Trump e o imponderável

O apoteótico encerramento da convenção do Partido Republicano, na última quinta-feira, foi um marco histórico da política dos Estados Unidos. Donald Trump entrou na disputa com a pecha de candidato folclórico e terminou ungido pelos republicanos como candidato à Casa Branca, para suceder Barack Obama, um dos presidentes mais carismáticos e populares das últimas décadas.

A vitória de Trump nas prévias foi acachapante. O bilionário magnata do setor imobiliário, que ficou conhecido no país por apresentar reality shows na televisão, derrubou um a um seus adversários, a maioria tradicionais políticos dos EUA. Com boa margem e antecedência, o magnata se cacifou para disputar o comando da mais poderosa nação do mundo. Houve resistências internas, de diversos segmentos republicanos. Mas, diante da popularidade da candidatura de Trump, foram esmagadas pelo agora candidato.

Há muitas explicações para o sucesso de Donald Trump em sua empreitada para a Casa Branca. A principal delas é a que o discurso do empresário cativou uma parcela do eleitorado norte-americano insatisfeito com a política tradicional. Seria um voto em uma “nova forma de fazer política”, um rompimento com o tradicional, ideias vagas que costumam se disseminar por todos os países em épocas de descontentamento geral.

Trump mira esse eleitorado. Com discurso de “xerife” da América, fala em proteger os americanos, sempre assustados com o terrorismo e a violência urbana, e fazer a economia crescer. Ao mesmo tempo, ele conquista fãs com um perigoso discurso xenófobo, fala em erguer muros para barrar os mexicanos e impedir a entrada de muçulmanos. Também promete rever acordos comerciais e históricos, inclusive com a Organização do Tratado do Atlântico Norte. O certo é que Donald Trump se transformou e galgou posições inimagináveis na política dos EUA e do mundo. Há um ano, poucos acreditariam no cenário atual.

Em poucos dias, os democratas vão indicar Hillary Clinton candidata à presidência. A ex-senadora e ex-secretária de Estado dos EUA vem perdendo fôlego nas pesquisas nos últimos dias, talvez sob influência da “avalanche Trump”. Com discurso realista, mas tradicional, vai tentar conquistar os americanos. Tem boas chances com a ajuda de Obama.

Mas é inegável que o discurso agressivo de Trump teve impacto nos Estados Unidos. De alguma forma, ele sai vencedor mesmo se perder a disputa. Ganhou popularidade que muitos jamais imaginariam. Qualquer que seja o resultado das eleições, a política norte-americana sofrerá mudanças profundas, com influência em todo o mundo. A perspectiva de um político do perfil de Donald Trump assumir um poder global põe o mundo, já abalado por incertezas e ameaças, em situação imponderável.


Fonte: Diário de Pernambuco

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