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Eduardo Carvalho: Por onde começar?

Por Eduardo Carvalho

Autor do projeto Desenvolvendo Cidadãos Globais, Harvard University

O nosso Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, tem a quinta maior área territorial e está entre as dez maiores economias do planeta. Os números das produções de alguns minerais, produtos agrícolas e da pecuária também são grandiosos. O país não possui desertos e não padece de desastres naturais de grande intensidade como furacões, terremotos e erupções vulcânicas.

O Brasil é sim privilegiado por ter ricas reservas florestais, relevo com baixa altitude e rios com grandes extensões (boa parte navegável). E ainda é banhado pelo Oceano Atlântico de Norte a Sul da Costa Leste. Apesar desse cenário, nosso país tem graves problemas sociais, infraestrutura precária, população com baixo nível de educação, máquina pública ‘pesada’, sistema político podre e economia que beira a depressão. 

Como consequência, o país não cresce por dois anos consecutivos, o PIB per capita está no 75º lugar do ranking global e a desigualdade de renda, entre as 20 piores na lista de 141 países. Na educação, alicerce das economias mais prósperas do mundo, estamos na 57ª posição entre os 65 países avaliados. O sistema educacional brasileiro (do ensino básico ao superior) está entre os 15 piores do mundo. O país ainda tem 13 milhões de analfabetos. 

Quando consideramos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil  figura na 79ª colocação. Esse indicador baseia-se em três pilares: saúde, educação e renda. Na cidadania, ao analisarmos os indicadores de percepção de corrupção, estamos na 76ª posição, e no indicador de impacto da corrupção na competitividade, somos um dos dez piores países do mundo.  

No indicador de segurança, quando nos referimos a homicídios,estamos entre os cinco piores do planeta. O país ainda tem  9,8 milhões de miseráveis, ou seja, pessoas que vivem com menos de R$ 7 por dia. No quesito infraestrutura, apenas 55,6% da população têm acesso à rede de abastecimento d’água; 41,9% possuem rede coletora de esgoto; 58,4% têm direito à coleta de lixo na rua; e 64,8% têm acesso à iluminação elétrica. Apenas 14% das rodovias brasileiras são pavimentadas.  

Em competitividade global, despencamos para a 75ª posição.  A balança comercial brasileira é  sustentada pela exportação de produtos primários, cujo setor emprega mão de obra de baixo valor.  A carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo, cerca de 37%, e o cidadão ainda paga custos adicionais (e caros)com sistemas de segurança, água ,energia, transporte, educação e saúde privada.

Na economia, a  dívida pública brasileira superou a casa dos R$ 3 trilhões.  Também somos  uma nação que pratica um dos juros mais altos do mundo. Com uma inflação da ordem de 10%, conquistamos mais um desastroso troféu: o de ter uma das economias mais inflacionadas do planeta.  O orçamento público, que está com um rombo de R$ 170,5 bilhões, é deficitário e comprometido com gastos da máquina e juros . O desemprego superou  o patamar de 10 milhões.

Há muito a fazer, a conquistar no nosso Brasil. São tantos os problemas que fica difícil definir as prioridades, mas é essencial que um plano  transparente com metas sustentáveis (longo prazo)seja elaborado e apresentado à sociedade. Ele  tem como pré-requisito uma diagnose, compreendendo-se o estado em que a nação se econtra.


Fonte: Diário de Pernambuco

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