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Em clima de vitória, argentinos pedem que Messi não abandone seleção

O clima era de vitória de final de Copa do Mundo, com a diferença de que não havia título. Todo o resto estava ali: gritos de guerra, cerveja, bandeiras, rosto pintado, foto do astro do time, ambulantes e crianças. Foi assim que os argentinos se manifestaram no fim da tarde deste sábado (2) para pedir que Messi não deixe a equipe do país.

Menos de 24 horas após o jogador anunciar, na madrugada da última segunda (27), que não jogaria mais pela Argentina por nunca conseguir um título e por ter perdido quatro finais (a da Copa do Mundo de 2014 e as de três Copas América, em 2007, 2015 e 2016), seus fãs já organizavam pela internet um ato para tentar fazê-lo mudar de ideia.

Pois a manifestação reuniu cerca de 500 pessoas diante do Obelisco, em Buenos Aires, tradicional ponto de protestos da cidade. Em Rosário, cidade natal do camisa 10 argentino, também houve um ato.

Neste sábado (2), enquanto Messi descansava nas Bahamas, a professora de jardim de infância Emilia Martín, 23, tomava uma forte chuva. Com o termômetro marcando 13 graus, segurava um guarda-chuva em uma mão e uma camisa da seleção argentina na outra. “Se ele está na praia agora, que veja pela TV que estamos aqui por ele”, disse.

A professora, que torce para o River Plate por ter “herdado” o time do pai, passou a se interessar mesmo por futebol quando seu conterrâneo começou a brilhar no exterior. “Nunca fui a um estádio. Morro de vontade de ir para ver a Argentina ou o Barça.”

Martín admite que, se Messi não tivesse decidido largar a seleção, uma grande parte do país estaria o xingando agora pelo pênalti perdido no domingo, na final da Copa América, ao invés de estar o idolatrando. “Tudo mudou de perspectiva.”

E tomar chuva e passar frio ajudará o argentino a rever sua decisão? “Acho que poderá dar força e ânimo a ele. Ele se sente culpado e está deprimido. Espero que saiba que o apoiamos.”

O advogado Javier Shama, 41, concorda. “Com o tanto de gente que tem aqui, ele vai ficar sabendo”, diz, vestindo chapéu azul e branco. Ao lado do filho de oito anos, conta que foi a criança que lhe pediu para ir ao ato, ao que o menino acrescenta: “Messi é o melhor do mundo”.

Para Shama, Messi jogou bem na final, mas teve a “má sorte” de errar o pênalti. “Ele não pode fazer tudo.”

Ao redor de Shama e de seu filho, centenas de argentinos dançam e gritam “quem não pula é do Brasil” ou “olê olê olá, o Messi nós queremos ver jogar”. Um bumbo com pratos acoplados em cima dá o ritmo.

Alejandro Santa Cruz/Xinhua
Messi (d) conduz bola durante final da Copa América Centenário
Messi (d) conduz bola durante final da Copa América Centenário

Fonte: Folha.com.br

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