Europa x América do Sul e o sonho de dirigir uma seleção

Relação dos sul-americanos com o time nacional é mais forte, mas melhor estrutura dos campeonato europeus pode minar esse sentimento

Após a Eurocopa, Inglaterra, Espanha e Itália anunciaram seus novos treinadores e eles são praticamente desconhecidos da maioria dos que acompanham futebol por aqui. Sam Allardyce, Julen Lopetegui e Giampiero Ventura vinham de passagens consistentes em clubes medianos ou seleções de base, mas é fato que muitos esperavam grandes nomes e isso demonstra um pouco da diferença de relação entre sul-americanos e europeus com suas seleções.

Ainda que despertem paixões durante grandes torneios, os times nacionais não são o foco dos torcedores há bom tempo no Velho Continente, situação que se reflete nas escolhas das federações. Nas últimas décadas, grandes clubes acabaram se tornando verdadeiros esquadrões e os campeonatos da Uefa, e até os nacionais, se tornaram dignos de Eurocopa e Copa do Mundo.


(Foto: Getty Images)

Os principais treinadores, como Mourinho e Ancelotti, preferem fazer carreira nas ligas locais, onde possuem tempo, estrutura e estabilidade para mostrar o seu valor. A falta de sentimento nacional mais forte igualmente pode ser outro (des)motivador, como o caso do catalão Guardiola dizer que sonha em comandar a Seleção Brasileira, em vez de falar a mesma coisa sobre a Roja.

Enquanto isso, na América do Sul, a falta de organização e a discrepância financeira enfraqueceram os times e a seleção se tornou a única saída para ver uma equipe do continente rivalizar com os europeus. E isso só reforçou a relação apaixonada pelo representante nacional.

Após a Copa América, a CBF escolheu Tite para comandar o Brasil, o que era desejo de todos. Avessa às opções internacionais, pelo menos agora optou pelo melhor prospecto que tínhamos no país. A busca pelo mais capacitado veio após outra amarga experiência com Dunga, mas o fato dos nossos grande treinadores só estarem empregados no país demonstra como ainda precisamos evoluir nesta área.

Só que a indefinição quanto ao novo técnico da Argentina pode apontar uma mudança de comportamento entre os sul-americanos. Com grandes técnicos na Europa, como Diego Simeone, Maurício Pchetinno, Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli, as principais opções no momento são Edgardo Bauza e Miguel Russo, que dirigem São Paulo e Vélez Sarsfield. E a explicação pode estar exatamente na qualidade desses profissionais que comandam Atlético de Madrid, Tottenham, Olympique e Sevilla, respectivamente.

Enquanto na seleção eles possuem tempo limitado e escasso para trabalhar com o grupo e implantar seus esquemas, sem contar a troca usual de jogadores de uma convocação para outra, nos clubes o trabalho é diário e os projetos são mantidos por mais tempo. Desta forma, é mais certo que o grande treinador poderá mostrar seu bom desempenho, enquanto que nas equipes nacionais, em tiro curto, nem sempre os melhores são os que se destacam. Assim, fazer uma carreira sólida é mais garantido nas ligas do Velho Continente.

E é também por isso que treinadores como Russo ou Bauza têm a chance única de comandar a Argentina, enquanto Simeone, Sampaoli e cia dizem que também sonham em comandar a Albiceleste, mas dificilmente largarão seus cargos apenas por nacionalismo. Projeto é o que a AFA menos tem, ainda mais vivendo um momento muito conturbado. Talvez no futuro, com uma situação mais estabelecida, nossos hermanos possam se aproveitar dessa relação mais forte dos sul-americanos com a seleção para contar um grande treinador para acabar com o jejum de título, que já dura mais de duas décadas.


Fonte: Goal.com

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