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Falta de perícia para pegar digitais em motel atrapalha investigação do caso Morato

Com a confirmação da causa da morte de Paulo Morato por envenenamento com chumbinho, o debate em torno da não realização da perícia papiloscópica (para recolhimento de impressões digitais) no quarto do motel reacende. O presidente da Associação dos Papiloscopistas, Carlos Eduardo Maia, destacou que as investigações ficaram bastante prejudicadas. “Se houvesse mais alguém no quarto, essa perícia seria de grande importância para fazer a identificação. Não se sabe se foi um autoenvenenamento ou se foi outra pessoa que colocou o produto na comida ou na bebida”.

Apesar de alguns objetos terem sido recolhidos para análise em laboratório, Maia questionou a forma de acondicionamento. “Quem coletou o material foram peritos criminais, não papiloscópicos. Se eles não estiverem bem acondicionados, o trabalho estará prejudicado”, comentou. Na avaliação dele, caso as investigações sejam bem conduzidas será possível chegar a uma conclusão definitiva sobre o que aconteceu.

Chumbinho é altamente letal, dizem especialistas
O organofosforado, substância encontrada no corpo do empresário, é um dos compostos do chumbinho. Segundo a coordenadora do núcleo de educação ambiental da Faculdade dos Guararapes, Waléria Lima, o produto tem uma toxicidade maior e os sintomas no organismo aparecem rapidamente. Altamente letal, o chumbinho é utilizado de maneira ilegal como raticida.

A coordenadora do Centro de Assistência Toxicológica do estado (Ceatox-PE), Lucineide Porto, afirmou que o tempo entre a ingestão e o aparecimento dos primeiros sintomas depende de uma série de fatores. “É preciso levar em consideração a toxicidade, o tempo em que a pessoa ficou exposta ao produto, a forma de absorção e quão sensível o organismo é ao produto”.  Segundo a SDS, Morato teria falecido duas horas após dar entrada no motel.

Morte de Morato continua sendo investigada
Apesar da confirmação da morte por envenenamento, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) ressaltou que ainda não é possível dizer se o empresário ingeriu a substância conhecida como chumbinho por conta própria ou se ele foi vítima de um homicídio. Morato é apontado como “testa de ferro” de um esquema investigado pela Polícia Federal.

A conclusão da causa da morte se deu a partir dos exames histopatológico e toxicológico, feitos a partir de amostras das vísceras do empresário, analisadas na Paraíba. O primeiro apontou que a morte não ocorreu por motivos naturais, enquanto o outro constatou a presença do pesticida. Conforme informou a nota da SDS, a causa foi “a intoxicação exógena por organofosforado”.

Dos oito procedimentos iniciados, cinco ainda estão sendo finalizados e devem ser encaminhados à Polícia Civil em até dez dias: perícia das imagens, papiloscópica, química, tanatoscópica e a análise do local de morte. Os exames histopatológico e de DNA foram concluídos.
Os demais exames vão revelar, por exemplo, se havia vestígios da substância no quarto onde foi encontrado, assim como a possível embalagem onde o veneno estava acondicionado. A garrafa de água encontrada está passando por uma análise química.

Na versão inicial, apresentada pela SDS, na semana passada, o secretário-executivo Alexandre Lucena cogitou a hipótese de suicídio e enfatizou que havia grande probabilidade de o empresário ter morrido por causas naturais. O secretário também afirmou que nenhum dos medicamentos encontrados no carro de Morato seriam suficientes para matá-lo.

A SDS chegou a convocar uma coletiva de imprensa ontem para divulgar oficialmente a causa da morte. No entanto, as equipes de reportagem que estiveram na sede da SDS não foram recebidas pelos especialistas. Após pouco mais de 30 minutos de espera, os jornalistas receberam a nota oficial e, ao questionarem o conteúdo, foram orientados a procurar informações no Google. Após muita insistência, o gerente de comunicação, Otávio Toscano, falou com os veículos de comunicação.

Questionado se o envenenamento por chumbinho significava automaticamente que o empresário foi vítima de um homicídio, Toscano afirmou que ainda é cedo. “A investigação da Polícia Civil é que vai verificar”, comentou. Ele disse ainda que o corpo do empresário estará pronto para a liberação do IML a partir de hoje.

Após a divulgação da SDS, a Polícia Federal em Pernambuco afirmou que o caso continuará sendo investigado pela Polícia Civil. Como Morato era suspeito de integrar um esquema, que segundo a PF investiga na Operação Turbulência, movimentou mais de R$ 600 milhões e financiar campanhas políticas (incluindo a do ex-governador Eduardo Campos), há a possibilidade de o caso ser transferido para a PF. Mas isso só deve ocorrer caso  Morato tenha sido assassinado.


Fonte: Diário de Pernambuco

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