Fanning retorna à África do Sul em meio a preocupação com tubarões

Um ano após ser atacado por um tubarão, Mick Fanning, 35, está de volta a Jeffreys Bay, na África do Sul.

O australiano vai participar da sexta etapa do Mundial de surfe, que começa nesta quarta-feira (6). A primeira chamada está marcada para as 2h30 (de Brasília). A janela de competição está aberta até o dia 17 de junho.

Antes do início do Mundial, Fanning disse que disputaria apenas algumas etapas –segundo ele, as mais especiais. E Jeffreys Bay estava em sua agenda desde o começo do ano.

“J-Bay sempre esteve nas minhas cartas. Mesmo se eu decidisse não surfar na etapa, eu sempre voltaria. Eu tenho grandes memórias [em Jeffreys Bay] e deixar de surfar lá pelo o que aconteceu no último ano não me parece certo. Eu quero voltar, corrigir os erros e seguir em frente”, disse Fanning, que é tricampeão mundial.

Na semana passada, em um treino no local, ele sentiu uma lesão no tornozelo, mas isso não deve atrapalhá-lo.

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Na final da etapa de 2015, ele aguardava para pegar a sua primeira onda na bateria contra o compatriota Julian Wilson quando foi atacado por um tubarão. Por sorte, saiu do mar sem ferimentos.

A África do Sul está entre os lugares com maior incidência de tubarões no mundo. Em 2013, um nadador morreu após um ataque de tubarão branco em uma região próxima de Jeffreys Bay.

Para 2016, a organização implementou novas medidas de segurança. A área será fiscalizada por helicóptero, câmeras, barcos e cada surfista terá um jet ski à sua disposição.

Além disso, a etapa terá a Clever Buoy, uma boia com sonar que detecta a presença de tubarões e avisa os organizadores da competição via um aplicativo.

Apesar disso, os surfistas brasileiros estão preocupados.

Segundo colocado no ranking, atrás apenas do australiano Matt Wilkinson, Gabriel Medina já havia dito que não gostaria de voltar a Jeffreys Bay. E ele admite, agora, que há uma tensão para a etapa.

“Não tem como não pensar em tubarão. No ano passado, a imagem que a gente presenciou do Mick sendo atacado foi chocante. Eu e todos vamos tentar não pensar [em tubarão] e focar apenas no campeonato”, disse Medina.

Já Miguel Pupo pede que a segurança no mar seja feita também durante os treinamentos.

“Tubarão sempre é um medo na Austrália e África. As últimas notícias que recebemos é que vamos ter vários dispositivos para detectar e espantar tubarões, mas somente durante as baterias. O que me preocupa mais, pois parece que não estão realmente preocupados com a integridade dos atletas e só estão tomando precauções para que nada aconteça ao vivo. Espero que o foco mude nos próximos anos”, disse Pupo.

Conforme a Folha mostrou no ano passado, os territórios escolhidos para sediarem as etapas do Mundial somaram 113 mortes por ataques de tubarão até 2014, segundo um levantamento feito pelo Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão (ISAF), que tem sede no Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos.

“Sempre fica aquela pontinha de medo, mas procuro não pensar e entrego nas mãos de Deus”, disse Filipe Toledo.

Chamada – Mundial de Surfe


Fonte: Folha.com.br

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