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Internet das coisas domina debates em fórum internacional sobre software livre

A nova revolução promovida pela internet é a conexão e troca de informação entre objetos do cotidiano das pessoas. A chamada internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) é o principal tema dos debates no 17º Fórum Internacional Software Livre (FISL), que termina neste sábado em Porto Alegre. O evento reúne pesquisadores, profissionais e estudantes da área de tecnologia da informação (TI), que defendem a transparência da tecnologia, com o uso de códigos de programação abertos e de livre acesso.

“A internet das coisas é uma realidade. Hoje, nós já conseguimos encontrá-la em alguns produtos, como nas pulseiras que captam os batimentos cardíacos do nosso corpo e transmitem para o smartphone, por exemplo”, afirmou Desirée dos Santos, desenvolvedora de softwares (programas de computador) da ThoughtWorks Brasil e especialista em robótica. Ela apresentou um painel sobre o assunto no primeiro dia do fórum. “É claro que ainda não temos uma infraestrutura própria da IoT, com uma grande quantidade de objetos conectados a uma internet móvel de qualidade”, ressaltou.

Desirée reconheceu, porém, que os produtos com internet integrada ainda são caros para a maior parte da população. “Toda nova tecnologia tende a servir a um público muito restrito. A IoT precisa ser democrática e estar acessível a todas as pessoas.”

Segurança e privacidade

Para Desireé, duas questões precisam ser amplamente debatidas antes que a internet das coisas seja consolidada: a privacidade e a segurança das pessoas. Segundo a especialista, o problema da privacidade,é consequência do uso constante de um grande número de objetos e produtos conectados à internet. “Eles coletam dados importantes sobre você: o que faz, por onde anda, o que consome. Todos esses rastros são captados sem sua autorização, e você não tem noção de como isso está sendo utilizado”, explicou Desireé. Ela disse que a sociedade precisa debater o assunto para estabelecer limites a essa prática.

Sobre segurança, Desirée explicou que os produtos da IoT, por estarem conectados à internet, ficam sujeitos a ataques virtuais. “Se você instala um sistema para controlar as portas e janelas da sua casa, e alguém ataca esse sistema, quem vai se responsabilizar? O fornecedor, o governo?”

De acordo com a especialista, a disseminação do software livre pode ser uma solução para esse problema. “O código aberto permite que muito mais pessoas atuem juntas para consertar as brechas de segurança.”

Internet e a nova economia
O coordenador-geral da Associação Software Livre (ASL) e do FISL, Sady Jacques, também vislumbra nos programas de código aberto o futuro da IoT. “Não há nenhuma solução proprietária capaz de produzir, sozinha, internet das coisas em escala mundial. A interoperabilidade é fundamental, e só é alcançada ao limite quando utilizamos softwares livres.”

Com o avanço dos produtos conectados à rede, Jacques considera essencial que se discuta o espaço virtual, pois este é percebido cada vez mais como um grande negócio. “Os gigantes da tecnologia tendem a fazer da internet um espaço proprietário. Ela é uma plataforma que transaciona informação e, portanto, conhecimento”, ressaltou.

Para Jacques, os negócios na internet devem ser realizados em um modelo de colaboração e compartilhamento de informações. “Não se trata da ausência de negócios, mas sim da existência deles a partir de uma base de conhecimento aberta para todos. Consegue-se ter uma economia menos hierarquizada e mais capilarizada, que tende a atender melhor a sociedade como um todo”, afirmou.


Fonte: Diário de Pernambuco

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