Últimas

Investimento de R$ 500 mil é insuficiente para Pernambuco, avaliam gestores

Qual a reação de um gestor ao receber a notícia de que o governo federal poderá ajudar a terminar obras possíveis de conclusão com até R$ 500 mil? Em Pernambuco, o valor causou surpresa entre os gestores. Isso porque somente para projetos hídricos executados em parceria com o governo federal, o estado aguarda repasses em torno de R$ 4 bilhões. A verba esperada permitirá ao governo concluir barragens e a Adutora do Agreste, considerada a obra mais importante no setor de abastecimento de água.

 A “ajuda” de R$ 500 mil partiu do presidente interino Michel Temer (PMDB), depois de uma conversa dele com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), há cerca de dez dias. Na ocasião, Renan apresentou a Temer um levantamento mostrando que cerca de 30 mil obras estão paralisadas em todo país. Diante desse cenário, o senador chamou para si a responsabilidade de ajudar os governadores a enfrentarem o problema.

Sobre a proposta de Temer, o senador afirmou que a iniciativa retomará “a criação de emprego e renda e demonstra o compromisso do presidente para uma solução definitiva com as obras inacabadas”, comentou Renan, após o encontro. Mas o entendimento de quem lida diretamente com a questão é bem diferente. Nos bastidores do governo, os comentários deixam claro que essa é uma proposta que não interessa a Pernambuco.

O que, de fato, ajudaria o estado, afirmaram em reserva alguns gestores, está exposto no discurso do governador Paulo Câmara (PSB) e na pauta de reivindicações que o socialista tem levado para as reuniões, em Brasília, durante o governo da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e agora com Michel Temer.

Na lista de pedidos está sempre a Transposição do Rio São Francisco, a liberação das operações de crédito, a conclusão das obras hídricas, entre outros projetos de infraestutura e mobilidade. “Pernambuco tem hoje uma capacidade de endividamento perto de R$ 1 bilhão. Com os recursos das operações de crédito seria possível voltar a investir em novas obras e abrir o mercado de trabalho na área da construção civil”, disse uma fonte à reportagem.

Na Secretaria de Transportes, a informação é segura de que não existe nenhuma situação que se encaixe no valor proposto por Temer. “Isso é uma piada de mau gosto”, definiu um gestor, argumentando que, na pavimentação de uma via vicinal, o investimento chega a quase R$ 1 milhão, enquanto para uma rodovia de alto fluxo o custo é de, aproximadamente, R$ 2 milhões. Quando o assunto envolve as obras hídricas, o valor, segundo técnicos, poderia a ajudar a fazer pequenas cisternas que, talvez, ajudasse a agricultura familiar.

Na última terça-feira, o debate sobre as reais necessidades dos estados do Norte e Nordeste chegou a Brasília, na Câmara Federal. No plenário, o deputado federal Danilo Cabral (PSB) cobrou do governo federal uma resposta mais efetiva em relação à proposta dos governadores para renegociação da dívida dos estados com a União. “É sabido que o que foi proposto não contempla esses estados. De tudo que está sendo negociado, apenas 4,5% dizem respeito a essas regiões”, alertou o parlamentar.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook