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José Carlos L. Poroca: Répteis sonham como humanos

Por José Carlos L. Poroca
Empresário

As pragas veem e somem; algumas, mais resistentes, ficam por mais tempo. Há cerca de 500 anos, na França, apareceu uma: pessoas começavam a dançar e ficavam no movimento durante dias e semanas. Especialistas disseram que o fato podia ser atribuído ao “sangue quente” (na França). Os “infectados” dançavam sem parar durante semanas e, após o surto, ou paravam e voltavam ao estado normal ou morriam, provavelmente, de estafa. O tempo passou e, até hoje, não se descobriu a verdadeira causa. Uns, fizeram ligação com a religião (estariam “possuídos”); outros estabeleceram vínculo com o tempo e a reação à “peste negra’; uns poucos associaram a dança à convulsão provocada por cereais com fungos.

Independente de não se achar uma resposta para essa e outras ‘pragas’, a verdade é uma só: os pesquisadores são verdadeiros heróis, mergulham no caso e nem sempre conseguem chegar ao sucesso. Às vezes, atiram num alvo e acertam outro, o que é absolutamente natural. Outras vezes, não conseguem levar adiante uma pesquisa que proporcionaria o salvamento de milhares de pessoas, porque falta investimento,  já que este está associado ao retorno do capital investido, o que só acontece quando o consumidor final pode pagar pelo produto. Apenas como exemplo, tem-se o caso da malária que ainda mata mais de 500 mil pessoas anualmente (90% na África) e deixa centenas de milhões infectados.

Há quem diga que a cura para a malária ainda não surgiu, possivelmente em decorrência do desequilibro da relação investimento versus retorno. Em contrapartida, hoje, já se sabe que, após pesquisas feitas por cientistas daquele país que colocou sete bolas no gol brasileiro, répteis sonham como humanos. Os cérebros desses animais se revezam entre o sonho REM (o sono leve) e o sono profundo, sem sonhos. Acho a descoberta fantástica e, confesso que, sem duvidar da pesquisa nem do resultado, não consigo entender a sua finalidade.

Por dedução, posso dizer que, no Brasil, os repteis também sonham. Sonham diferente dos repteis de outros países, mas sonham. São assemelhados a humanos e sonham com paraísos fiscais e mergulhos em piscinas de euros. Sonham que podem se empanturrar de bolos de cédulas verdes que caem do céu, como se comida fosse. Na real, essa compulsividade costuma trazer pesadelos, azia, shigelose e obstipação. E também provoca depressão: os repteis terminam dançando como se estivessem ‘possuídos’, tal como ocorreu no passado. Ainda bem que são sonhos, apenas sonhos…


Fonte: Diário de Pernambuco

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