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Justiça vai apurar denúncia de obstrução: veja quem é quem no processo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou réu, pela primeira vez, na Operação Lava-Jato. Político que alcançou os maiores índices de popularidade no Palácio do Planalto, o petista vai responder à ação penal por determinação do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília Ricardo Soares Leite. Às 14h21 de ontem, o magistrado recebeu denúncia que acusa Lula e seis réus, como o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), o banqueiro André Esteves e o pecuarista José Carlos Bumlai, de tentarem comprar o silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Os outros denunciados na ação penal são o ex-advogado do ex-dirigente da petroleira Edson Ribeiro, o ex-assessor parlamentar Diogo Ferreira e Maurício Bumlai, filho do pecuarista e amigo de Lula.

Arte/ Correio Braziliense
Arte/ Correio Braziliense

Os advogados do petista, Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, insistiram que ele “jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava-Jato” e que, no fim do processo, “sua inocência será certamente reconhecida”. Em São Paulo, Lula não comentou o caso especificamente e voltou a dizer que não é dono do sítio em Atibaia (SP) e do tríplex no Guarujá (SP). O advogado de Bumlai, Conrado Gidrão Prado, disse ao Correio que o pecuarista jamais pagou qualquer valor a Cerveró. A defesa de Edson Ribeiro também negou participação no esquema. Os demais réus não foram localizados.

De acordo com o juiz Ricardo Leite, a acusação feita originalmente pela Procuradoria-Geral da República perante o Supremo Tribunal Federal tem “justa causa” para se tornar uma ação criminal, “evidenciada pelas referências na própria peça acusatória aos elementos probatórios acostados a este feito”. “A princípio, demonstram lastro probatório mínimo apto a deflagrar a pretensão punitiva proposta em juízo”, avaliou o magistrado. Ele deve receber a defesa prévia dos réus nos próximos dias e, depois, marcar os interrogatórios das testemunhas da acusação e da defesa na ação penal, aberta ontem à tarde.

Segundo a denúncia, Lula, Bumlai e Maurício pagaram R$ 250 mil, por meio de Delcídio, Ferreira e Ribeiro para a família de Cerveró em 2015 a fim de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras. O ex-presidente seria o mentor da tentativa de calar o ex-dirigente da petroleira e evitar sua delação premiada. Mas a tentativa não deu certo e Cerveró se tornou um dos mais de 60 colaboradores da Operação Lava-Jato. O ex-presidente foi denunciado por embaraço à investigação com o agravante de quem “promove, ou organiza a cooperação no crime, ou dirige a atividade dos demais agentes”.

Depois de ser preso, Delcídio afirmou em colaboração premiada que se reuniu com o ex-presidente, em maio de 2015, no Instituto Lula. O petista “manifestou grande preocupação” com eventual delação de Cerveró, que estava em negociação, segundo o ex-senador — que teve o mandato cassado após seus depoimentos acusando políticos se tornarem públicos. “Lula expressou que José Carlos Bumlai poderia ser preso em razão das colaborações premiadas que estavam vindo à tona, particularmente de Fernando Baiano e de Nestor Cerveró e que, por conta disso, José Carlos Bumlai precisava ser ajudado”, narrou Delcídio aos investigadores. Áudios de conversas entre o assessor do ex-senador e Maurício Bumlai, comprovantes de saques em agências bancárias e depoimentos embasam a acusação contra o petista e os demais réus.


Fonte: Diário de Pernambuco

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