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Lições da Euro

Seria um capricho do destino se Gignac marcasse o gol da vitória da França no lance em que chutou na trave aos 45 minutos do segundo tempo. Em 1984, primeira semifinal europeia de Portugal, Platini marcou no minuto 119. A França ganhou sua primeira Euro, porque tirou os portugueses na semi.

Também foi caprichoso o gol de Éder. Ganhar a taça na decisão como visitante, doze anos depois de perdê-la como anfitrião. Espetacular!

A emoção do final do jogo foi contrastante com o término do primeiro tempo, quando a antiga glória do futebol português, Luís Figo, foi flagrado bocejando. A França controlava a posse de bola, mas havia poucas chances de gol, a melhor delas numa cabeçada linda de Griezmann espalmada por Rui Patrício.

O sono de Figo simbolizava mais seu desinteresse pelo futebol do que a falta de qualidade da finalíssima. Mas a Euro não foi mesmo o principal torneio recente em nível técnico. A Copa do Mundo foi melhor. O maior pecado do torneio europeu foi o inchaço. É muito pior ter 24 participantes do que 32, porque os múltiplos de oito permitem eliminar dois times por grupo na primeira fase.

Classificar quatro terceiros colocados aumenta a chance dos que preferem o empate e odeiam o risco.

Editoria de Arte/Folhapress

Neste cenário, as novidades táticas passam a existir exclusivamente nas seleções mais frágeis. Os galeses que nos encantaram pela felicidade de sua torcida, jogaram num 5-3-2. Defendiam para privilegiar Bale e Ramsey. A Islândia foi diferente. Não era defensiva, mas segura, modelo sueco adotado pelo técnico Lars Lagerback ao eliminar a Argentina de Marcelo Bielsa na Copa de 2002.

Organização é a maior qualidade das seleções na era dos clubes globalizados. Elas jogam uma vez por mês e atraem público nos grandes torneios –a Euro teve 47 mil espectadores por jogo e a Copa América 41 mil – mas seleção precisa de sequência para atingir qualidade.

É o que mais falta ao Brasil desde 2010, período em que a teve cinco técnicos e trocou 14 jogadores em média por competição oficial.

Outro ensinamento da Eurocopa é a linha de separação entre as melhores seleções, cada vez mais tênue. A França chegou ao torneio como a equipe em melhor fase. Nos últimos dezesseis jogos antes da final, teve um empate com a Suíça, quando já estava classificada na fase de grupos, e uma derrota para a Inglaterra, quatro dias depois do atentado de Paris. Antes, perdeu da Albânia e do Brasil. Não é brilhante, mas é precisa.

A Alemanha paga o preço de ter a média de idade mais baixa entre as principais seleções do mundo. Mesmo campeã mundial, renova-se. É uma das melhores seleções do mundo, não a melhor. Venceu só cinco de seus últimos dez jogos e perdeu três.

Na final, a França usou o 4-2-3-1 e Portugal jogou num 4-4-2. Marcava para proteger seu craque, Cristiano Ronaldo, substituído por lesão no primeiro tempo. Diferente do que acontecia até os anos 80, os torneios de seleções não são mais um festival de novidades. Estas são consumidas semanalmente nos campeonatos de clubes.

No futebol das seleções, mais do que entre os clubes milionários, a transpiração costuma vencer a inspiração. Portugal venceu sem Cristiano Ronaldo.

ATAQUE X DEFESA
O Corinthians não sofre gols há três jogos e o Palmeiras marcou nos últimos nove. É um símbolo do duelo pelo título do primeiro turno. O Corinthians de Cristóvão cresce. O Palmeiras de Cuca precisa de 14 pontos em seis jogos para ganhar o turno.

A VOLTA
O que Bauza pode mudar para sonhar em virar contra o Atlético Nacional? Pelo jogo do domingo (10), nada… Kardec foi o melhor, mas não entrará no lugar de Calleri. Centurión pode entrar. Mas não costuma ocorrer nada diferente com ele em campo.


Fonte: Folha.com.br

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