Líder nato, Fernando Prass deu aula de como deve ser uma entrevista coletiva

Sem fugir das perguntas, o camisa 1 da Seleção mostrou confiança e tranquilidade, ao mesmo tempo que reconhecia o peso da responsabilidade


GOAL Por Tauan Ambrosio 


O jogador vai para uma entrevista coletiva e não fala coisas de grande importância. Isso é muito comum. A culpa, muitas vezes, nem é deles. É tanto media training, tanto discurso decorado, que sai até no automático.

O tom repetitivo nas declarações dos boleiros já virou até mesmo tema de ensaios cômicos, seja nos meios impressos, rádio, TV ou em vídeos no YouTube. Só que, para a alegria dos jornalistas presentes à Granja Comary e aos torcedores de futebol de um modo geral, a entrevista dada por Fernando Prass, nesta segunda-feira (18), foi uma exceção.

E das boas!

Dono da camisa 1 da Seleção Olímpica, Prass falou de tudo um pouco. Sempre com tranquilidade, e uma segurança longe de beirar a soberba. O jogador, o mais velho dentre os comandados de Rogério Micale, mostrou a confiança de quem parte para bater um pênalti decisivo tendo noção absoluta do que aquilo representa e sem medo de errar – como ele próprio, Prass, fez na decisão da Copa do Brasil, sobre o Santos.

Fernando Prass chegou a afirmar que “se jogasse até os 44 anos, sempre sonharia com a Seleção”. A convocação foi tardia, veio com 38 primaveras completas. Porém, foi muito bem aceita pelo ídolo palmeirense, que parece já estar em casa mesmo em seu primeiro dia. E ele definiu com precisão o papel de liderança e a responsabilidade de ser um capitão. Mesmo que ainda não tenha sido apontado como tal.

(Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Sem tirar o peso da responsabilidade, da pressão da torcida e imprensa, Prass preferiu ver todas as questões envolvendo a participação do Brasil na Olimpíada de uma maneira serena. Lembraram da Copa do Mundo e dos 7 a 1? O goleiro não fugiu da dividida, mas salientou que é importante, também, lembrar das boas histórias. Da Seleção Brasileira vitoriosa do passado. E deu uma visão muito interessante sobre o futebol atual.

“Futebol hoje em dia evoluiu a tal ponto que entendemos que sistema tático já foi inventado quase de tudo. 4-3-3, 3-5-2, 4-1-4-1. Em termos físicos, hoje, é um absurdo o que se corre. Não tem muito mais o que evoluir, o que se tem pra evoluir ainda é pouco explorado, que é a questão mental. O que é muito difícil de trabalhar, é uma situação menos palpável para se trabalhar. Mais subjetiva”, avaliou.

O curioso é que, pouco depois, o coordenador da seleção, Erasmo Damiani, confirmou que o grupo olímpico não conta com especialistas na área de psicologia. Em uma primeira análise, um erro de planejamento. Mas em questão de liderança, levando em conta a postura e confiança de Fernando Prass, o Brasil parece estar muito bem representado.

O goleiro do Palmeiras é um líder nato e merece ser o escolhido para usar a faixa de capitão, exatamente por saber dosar muito bem os diversos aspectos que envolvem uma partida de futebol.


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Fonte: Goal.com

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