Mesmo amadores, 'lobos solitários' são um risco, alertam especialistas

C
Clula do Estado Islmico: grupo recruta amadores para testar as foras de segurana de alvos de atentados. Foto: Tracking Terrorism/Reproduo

O imprevisível é o maior risco do terrorismo praticados por “lobos”, “ratos” ou “loucos” solitários na avaliação de fontes da Polícia Federal de Brasília e do Rio de Janeiro, onde acontecerão os Jogos Olímpicos. De acordo com esses investigadores ouvidos pelo Correio, é fato que os investigados presos na Operação Hashtag não apontavam uma ameaça real com alvo definido, mas isso não significa que não eram perigosos. Ou seja, o risco existe, mas não pode ser superdimensionado a ponto de provocar pânico na população.

De acordo com um investigador do setor de inteligência, que trabalha na segurança das Olimpíadas, os suspeitos presos ontem não miravam um grande alvo, não tinham financiamento do exterior, não tinham organização, hierarquia e logística adequadas. Ainda assim, eram um risco real. Para essa fonte, o terrorismo moderno é exatamente o praticado por loucos solitários, como nos ataques em Nice, na França, e em Orlando e Boston, nos Estados Unidos. Essa desorganização é perigosa porque dificulta o monitoramento e torna o episódio dos “amadores” do Brasil um risco “grave devido ao nível de imprevisibilidade”.

Outras fontes do setor questionam a ação de ontem. Para elas, seria possível prender os suspeitos aos poucos sem chamar a atenção porque já havia provas há muitas semanas de atos preparatórios para o terrorismo. A entrevista coletiva — repercutida internacionalmente — foi feita pelo próprio ministro da Justiça, episódio em que, contraditoriamente, ele minimizou os atos. O receio é de que a estratégia atraia a ira do Estado Islâmico — já promovido internacionalmente sem ter feito nada de concreto — para o Brasil. Um investigador da PF pondera: a ação do ministro também serviu para dar um recado da “força” do Brasil no enfrentamento às células terroristas às vésperas das Olimpíadas.

Sem imunidade

Para o especialista em segurança pública Joanisval Brito, doutor em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e consultor do Senado, é complexo dizer que a operação trará alguma tranquilidade para a população interessada em participar dos Jogos Olímpicos. “Ainda não dá para dizer que o objetivo é mostrar que está sendo feita alguma coisa e informar a população, alertar para a existência real de uma ameaça, pois até bem pouco tempo não se via isso”, avaliou o consultor. Para Joanisval, a operação mostra que o país não está imune a ameaças terroristas.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook