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Nagib Jorge Neto: Além do arco íris

Por Nagib Jorge Neto

Jornalista

É um equívoco supor que a mídia, a oposição, os grupos que defendem o impeachment da Presidenta Dilma, não contam com apoio externo, sobretudo dos Estados Unidos e da União Europeia, ameaçados pelo modelo liberal em crise desde 2008 e agora agravado pela decisão inglesa de sair do bloco econômico europeu. 

Nesse contexto, na Argentina, Obama fez alusão à crise política em nosso país, e deixou claro que o Brasil deve seguir o exemplo de Macri: submissão à ditadura financeira, retrocesso do Estado de Direito, com redução dos programas sociais e dos direitos trabalhistas. Enfim, um processo que o Congresso e o Judiciário, lá e aqui, adotam contra a democracia e as garantias da Constituição.   

Naquele ato, em defesa dos “investidores” ou “especuladores”, Obama deixou implícito a máxima – A América para os Americanos – e a promessa de ajuda no estilo “Aliança Para o Progresso”. Assim, Obama tentou ganhar a simpatia dos latinos, propensos a votar em Donald Trump, argumento que não disfarça a guerra dos países centrais contra os BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Eles tentam formar um Banco de Desenvolvimento, usar suas moedas nas transações, e depois dispor de uma opção ao dólar, emitido sem lastro, moeda má, que circula como moeda boa, maquinação prevista por John Maynard Keynes.

Noutras palavras, os Estados Unidos tem poder bélico, financeiro e influi no destino de países e regiões. Mais grave – as suas empresas, bancos, podem financiar políticos e empresários para eleger governos ou afastar aqueles eleitos em processo democrático e legitimo. Então não há porque evocar agora “perigo comunista”, mote das Marchas com Deus Pela Família em 1964, centradas em São Paulo e Minas.  

Diante desse rolo compressor, tornou-se complexa, difícil, a reação da Igreja, de juristas defensores do Estado de Direito, de avanços sociais, que reagem ao impeachment, aos prejuízos para a democracia, os BRICS e a América Latina. Afinal, apesar da névoa, parcelas do país combatem a enganação das cores, das marchas, indo além do arco íris, da promessa de chuva ou verão, e cresce a visão real dos gritos contra corrupção e desgoverno do PT, de Lula e Dilma, farsa para combater os programas sociais e as conquistas que tiraram o país do mapa da fome. 

É evidente a redução da pobreza, das desigualdades e injustiças sociais e diante da realidade a “velha ordem” (ainda provisória) diz aceitar os BRICS, as conquistas sociais – entretanto, contudo, todavia, prevê mais “medidas impopulares”, ou seja, adotar a política dos grupos agora em silêncio na Avenida Paulista e que exigem cortes na área social.


Fonte: Diário de Pernambuco

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