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Neymardependência: é bom ou não é?

Apesar dos discursos aparentemente antagônicos, Tite e Rogério Micale viram dois lados de uma mesma moeda ao comentar sobre a importância Neymar


GOAL Por Tauan Ambrosio 


É claro que o discurso de Tite está alinhado com o do técnico da Seleção Olímpica, Rogério Micale. Mesmo assim não deixa de ser curioso o que cada um disse sobre Neymar nas respectivas entrevistas concedidas na Granja Comary, em Teresópolis.

Na terça-feira (19), Micale não teve nenhum tipo de problema para afirmar que a chamada “Neymardependência” é uma coisa boa. “Eu quero sempre ter o Neymar no meu time, quero tê-lo sempre comigo, mas o quero feliz para jogar”, afirmou o treinador.

Um dia depois, quarta (20), Tite protegeu o seu maior craque: “É uma situação desumana ficar apontando que ele é o cara. Em alguns momentos será individualidade, e pode até ser do Neymar, mas terá de ser de outros também”, explicou o comandante, que busca estreitar cada vez mais a sua relação com o barcelonista.

Neymar é abraçado por Tite na Granja Comary (Foto: Lucas Figueiredo/MoWa Press)

Só que é preciso ter calma. Em um primeiro momento os discursos parecem antagônicos, mas não é o que acontece. É possível criticar o peso exagerado colocado nas costas de Neymar e, também, comemorar (e até mesmo ficar aliviado) quando ele está em campo.

Afinal de contas, o brasileiro é um dos grandes craques do Barcelona, um dos clubes mais recheados de grandes jogadores em todo o mundo. Na última temporada, o camisa 11 da equipe catalã fez 31 gols nos 49 jogos que participou. É decisivo, indiscutivelmente um dos melhores do mundo.

(Foto: Lucas Figueiredo/MoWa Press)

Só que ter um dos maiores talentos não basta. Pelo menos no futebol atual. O craque é a cereja do bolo, o queijo ralado no macarrão. É o toque diferente e especial, mas não vai alimentar para sempre resultados satisfatórios se não tiver uma boa base montada. É preciso ter estrutura para curtir o que o talento individual representa.


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“Acredito que o coletivo potencializa o individual (…) Exemplifico: a Eurocopa nos mostrou que a saída do Cristiano Ronaldo não tirou a possibilidade de Portugal conquistar o título. A Copa América, com Messi, determinou que a Argentina não fosse campeã. É desumano colocar num atleta que tudo de bom seja dele”, afirmou Tite, na mesma entrevista de quarta-feira (20).

“Existe um contexto de equipe que vamos criar, mas a importância do fator individual é grande. Ele merece todo respeito, é um jogador que desequilibra, quero que ele se sinta feliz”, observou Micale na terça.

É exatamente este ponto que une os discursos aparentemente antagônicos dos treinadores. A criação de um time estruturado e equilibrado – de uma equipe de fato – é o que possibilita ao craque brilhar com segurança. Seja na Seleção principal ou na olímpica.

(Foto: Lucas Figueiredo/MoWa Press)

A “Neymardependência” não é boa se for para encobrir deficiências de um conjunto ou construir resultados enganosos, mas é muito boa simplesmente pelo fato de contarmos com um dos melhores jogadores do futebol atual.

E o futebol é feito de tática, organização e modelo de jogo em um primeiro lugar. Mas não seria o mesmo não fosse o encanto do drible, se não tivesse o grande craque que consegue resolver um jogo difícil.


Fonte: Goal.com

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