Nova fase da Lava-Jato coleta dinheiro e objetos de casas de empresários em Boa Viagem

A nova fase da Operação Lava-Jato apreendeu objetos e valores em dinheiro das casas dos empresários pernambucanos Marcos José Moura Dubeux e Marcos Roberto Bezerra de Melo Moura Dubeux, no Bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Os dois são pai e filho, sendo Marcos José o presidente da Cone S/A, que é um condomínio de logística. Vinte e cinco policiais federais, acompanhados de três procuradores da República, participaram da ação nas residências. A sede da Cone S/A, localizada na BR-101, no Distrito Industrial do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife (RMR), também foi alvo da operação.

De acordo com a Polícia Federal (PF), o objetivo da operação é recolher documentos, aparelhos de informática e valores em dinheiro. Até o momento, foram recolhidos em posse dos empresários 30 mil euros e US$ 53 mil, além de aparelhos de informática. O chefe de comunicação da PF em Pernambuco, Giovani Santoro, declarou que a operação investiga um esquema de corrupção e a decisão da busca e apreensão foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), já que envolve políticos com direito a foro especial.

“Como sempre, essa fase investiga um esquema de corrupção e que diz respeito a fase que afeta ao STF. Então, foi deferido esses mandados de busca e apreensão aqui em Pernambuco, mas também tem outros estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal onde estão sendo cumpridas ordens judiciais”, disse Giovani. “É importante salientar que os detalhes dessa operação a Polícia Federal de Pernambuco não tem, porque a investigação não está ocorrendo por Pernambuco, e sim, Curitiba, no Paraná”. Giovani esclarece, no entanto, que no estado as buscas e apreensões não atingiram a “célula política” da investigação.

Em nota à imprensa, a Cone Sul disse que “só irá se manifestar quando tiver conhecimento de todo o conteúdo da denúncia. Neste momento, a companhia está à disposição das autoridades e colaborando para que todas as questões sejam esclarecidas o mais breve possível”. Os dois empresários fazem parte da família que controla a construtora Moura Dubeux.

Em outra nota, assinada conjuntamente pela Cone S/A e pela Construtora Moura Dubeux, a empreitera diz que já foi uma das investidoras da Cone S/A, mas hoje não faz mais parte da sociedade. Atualmente, a Cone S/A tem investidores próprios e tem como investidor o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS). A Cone também afirma que Marcos José Dubeux não é sócio na empresa. Marcos José trabalha na construtora e o filho é presidente da Cone S/A.

Prisão e delações premiadas
A nova fase da operação foi batizada de Sepsis, que é uma infecção geral grave do organismo causado por germes. Os detalhes sobre a operação serão divulgados por meio de um nota oficial que dever será emitida pela Polícia Federal em Brasília. As ordens judiciais estão sendo cumpridas por ordem do ministro-relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki. O grupo JBS Friboi, em São Paulo, também foi visitado pelos policiais, mas negou em nota ser alvo da operação.

Uma das primeiras prisões anunciadas foi a do empresário Lúcio Bolonha Funaro, amigo do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Funaro é suspeito de achacar grandes empresas em parceria do parlamentar.

A ação da PF tem origem em duas delações premiadas: a do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto e a do ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas Nelson Mello. Uma delação premiada, firmada com a Procuradoria-Geral da República, aponta o suposto repasse de propinas milionárias para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM). Nelson Mello afirmou em seu depoimento aos procuradores que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses. Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra seriam os responsáveis por distribuir o dinheiro para os senadores.

As últimas fases da Lava-Jato ordenadas pelo STF foram “Catilinárias”, em dezembro, quando foram feitas buscas contra o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a prisão do então senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), em novembro, e “Politeia”, quando foram feitaas buscas relacionadas a senadores, como Fernando Collor (PTB-AL), em julho de 2015.


Fonte: Diário de Pernambuco

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