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O que a irritação de Neymar pode nos dizer?

Nesta terça-feira (26), o meia-atacante ficou visivelmente irritado ao ser confrontado com seus últimos momentos de interação com a Seleção Brasileira


GOAL Por Tauan Ambrosio l Teresópolis 


O sol veio com força em Teresópolis nesta terça-feira (26), e logo no dia em que o maior astro da Seleção Brasileira falaria com a imprensa. Neymar só não dominou os assuntos na Granja Comary por causa da lesão sentida por Fernando Prass.

Com certo atraso, o camisa 10 do Brasil respondeu a um punhado de perguntas sobre os mais diversos assuntos. Elogiou a didática do técnico Rogério Micale, revelou já ter falado para Gabriel Jesus – e outros jogadores – sobre o Barcelona e disse estar despreocupado com a faixa de capitão.

Não se sente intocável, e assim como Fernando Prass lembrou que a braçadeira é um item simbólico. Todos podem “conversar, gritar, auxiliar a equipe da melhor maneira possível”, segundo o próprio afirmou.

(Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Vieram, também, perguntas sobre a responsabilidade de conquistar o ouro e a dependência que a Seleção tem de seu talento. Questionamentos previsíveis, e mesmo assim muito bem respondidos pelo craque da Seleção.

“Ter medo de perder tira vontade de ganhar”, afirmou a respeito do desafio pelo título olímpico. Sobre a ‘Neymardependência’, usou o exemplo de Messi no Barcelona. E foi muito bem.


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Mas aí veio o grande momento da coletiva. Quando Neymar foi confrontado não pela sua estupenda habilidade, mas pelos seus últimos momentos de parceria com a Seleção Brasileira. Perguntado sobre o excesso de cartões amarelos recebidos nas últimas competições, sobre o comprometimento com as cores do Brasil e excesso de presença em festas, o camisa 10 não gostou.

“Minhas coisas particulares são minhas”, afirmou. “Você tem que me cobrar em campo”, disse com certa irritação antes de baixar um pouco o tom. Se recuperou e respondeu com muito equilíbrio. Entrava em cena o Neymar ‘político’ (não o que angaria votos, mas sim aquele que busca apaziguar os ânimos).

“Achei sua pergunta maldosa, mas respondo sem maldade. Se você tivesse 24 anos, tivesse tudo que eu ganhei e tudo que eu tenho, você seria o mesmo? Só isso que te pergunto”, disse.

O tom político voltou à tona quando o craque foi perguntado sobre um especulado sonho de encerrar a carreira no Flamengo. Neymar negou, mas logo em seguida exaltou o Rubro-Negro e mandou uma saudação para a maior torcida do país.

Ganhou moral com mais de 30 milhões.

As outras perguntas vieram: questionamentos a respeito de sua evolução desde os Jogos de Londres, em 2012, sobre a admiração que sente por atletas de outros esportes que estarão no Rio de Janeiro. Mas foi impossível tirar o foco da pergunta que incomodou o maior craque da Seleção.

O craque foi muito bem na coletiva, mas viu que nem tudo são flores (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Neymar pode curtir quantas baladas (ou ‘nights’, festas ou qualquer que seja o nome) quiser, desde que desempenhe o que se espera dele com a camisa amarelinha. Os destemperos recentes, principalmente na Copa América de 2015, quando prejudicou a Seleção ao receber um cartão amarelo em confronto contra a Colômbia – que o tirou de campo contra o Paraguai -, mostram um passado recente não muito feliz.

(Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Para a Olimpíada, o camisa 10 se apresentou junto dos demais, sem nenhum tipo de atraso, e vem mostrando grande empenho nas atividades. Neymar sabe que é o cara da Seleção Brasileira na busca pelo ouro, e tem perfeita noção de sua importância para o grupo de jovens jogadores convocados. Mas é sempre bom lembrar que existe, também, um outro lado.

Afinal de contas, nem tudo são flores. Nem para o ‘salvador’ da Seleção Brasileira.


Fonte: Goal.com

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