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Operação Brotherhood expõe fato comum em AL: roubar merenda

Mais uma ação da Polícia Federal, na semana que se passou, mostrou um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações. Várias prefeituras – conforme as investigações – estariam envolvidas. Vale lembrar: é só a primeira fase da operação Brotherhood (que significa irmandade). Uma questão é levantada diante da nova ação da Polícia Federal: na última década foram várias as ações criminosas com um modo de operar bem similar, que é a fraude de licitação, a lavagem de dinheiro e a falsidade ideológica no intuito de transformar merenda de crianças em enriquecimento ilícito.

Por trás destas ações estão sempre empresários, empresas fantasmas e, claro!, políticos. Desta vez, de acordo com a Polícia Federal, 20 cidades podem estar envolvidas na fraude de licitação de merenda escolar, provocando um rombo estimado de R$ 12 milhões nos cofres públicos (somente em cinco municípios). O que espanta é o fato do crime ser novo, mas o roteiro já ser antigo e conhecido dos alagoanos. Há 11 anos uma ação semelhante resultou na prisão (na época) de diversos prefeitos, ainda na etapa investigatória. Era a Operação Gabiru. Talvez a mais famosa quando o assunto é roubar comida de criança.

No caso da Brotherhood, as ações iniciais foram nas cidades de Ibateguara, Girau do Ponciano Tanque D`arca, Roteiro e Traipu. Outras administrações municipais podem ser alvo de investigação, como já dito.

Segundo o delegado federal Roberto Loreano Curi, as investigações da Polícia Federal tiveram início em 2015, quando a Controladoria Geral da União (CGU) identificou a fraude no processo para aquisição de merenda em Traipu. O esquema se iniciou em 2013 com o alto faturamento nas compras. Envolveu ainda empresas fantasmas e sócios ocultos.

Há uma expectativa – por parte da Polícia Federal – que 20 empresas façam parte do esquema, como mostrou o CadaMinuto, durante a cobertura da ação policial.

Diante do que se viu hoje, como não lembrar da Operação Gabiru – ocorrida em maio de 2005 – que envolveu diversos policiais federais e resultou na prisão de 31 pessoas em diversos municípios alagoanos. Na época, se investigou um esquema de desvio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e outras verbas do Ministério da Educação que eram justamente destinadas para a compra de merenda escolar.

Impunidade

Em cena estavam os crimes de desvio de verba, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Estes ocorridos entre 2001 e 2005. Foram detidos, na época, os então prefeitos Cícero Cavalcante (São Luís do Quitunde); Carlos Eurico Leão e Lima, o Kaík (Porto Calvo); Paulo Roberto Pereira de Araújo, o Neno (São José da Laje); Fábio Apóstolo de Lira, o Fabinho (Feira Grande); José Hermes de Lima, o Zé Hermes (Canapi) e Neiwton Silva de Igreja Nova. Também foi preso Marcos Paulo, o Marquinhos (Matriz do Camaragibe), atual prefeito do município.

 

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