Operação Gabriel Jesus

O Barcelona ajudou o Palmeiras a contratar Yerri Mina. Há dois meses, quando pensava em ter o zagueiro colombiano e concorria com Wolfsburg e Bayer Leverkusen, o diretor de futebol Alexandre Mattos viajou para a Espanha para conversar com os dirigentes catalães. Além dos alemães, o Barça também queria Mina, mas pretendia emprestá-lo a um time pequeno da Espanha.

O diretor Raul Sanllehí saiu da reunião convencido de que seria bom manter Mina na América do Sul, desde que o Barcelona tivesse a preferência de compra quando o Palmeiras decidir vendê-lo. Telefonou para o Santa Fe (COL) e ajudou a convencer o clube de Bogotá a negociar com o Palmeiras.

Quarenta dias depois do acerto, Sanllehí esteve no Allianz Parque para observar Gabriel Jesus na partida contra o América-MG. Não veio ao Brasil para contratar o atacante. O interesse do Barça é monitorar seu desenvolvimento e acompanhar os rivais diretos no mercado europeu. Quer a preferência quando for a hora de levá-lo à Europa.

Não é agora.

O técnico Cuca é perfeito quando afirma que Gabriel Jesus será muito melhor do que já é. O próprio atacante declarou na segunda-feira (4) que pretende ficar no Palmeiras pelo menos até o final de 2016. Paulo Nobre quer mais. Pretende mantê-lo até dezembro de 2017.

Exige sedução convencer Gabriel Jesus de que o futuro será melhor e mais lucrativo se a transferência acontecer quando estiver mais maduro. Não adianta ir para o Barcelona e não jogar. Ser reserva de Messi, Suárez e Neymar pode atrasar a decolagem como craque internacional.

Também pode ser perigoso seguir para a Internazionale sem saber o que os chineses farão com o clube em reconstrução.

O Palmeiras tem acordo com Gabriel Jesus até dezembro de 2019, mas possui apenas 30% do contrato. Antes da renovação, em dezembro de 2014, tinha 75%. Precisou abrir mão da porcentagem, por pressão dos agentes e porque a condição financeira da época dificultava subir o salário para continuar majoritário.

“Os jogadores são vendidos várias vezes antes de irem embora. Vendem-se 10%, 20%, 30%… Isto porque não se tem o dinheiro para pagar tudo sozinho. O risco do investimento é compartilhado.” A frase é do diretor de futebol do Grêmio, Alberto Guerra, para explicar por que seu clube tem 70% do atacante Luan.

O Santos vendeu Neymar quando tinha 55%. Hoje tem 40% de Gabriel, o Gabigol. Todas estas porcentagens são maiores do que o Palmeiras possui de Gabriel Jesus. Sua saída do Allianz Parque pelo valor integral da multa de rescisão significaria hoje a entrada de 14 milhões de euros -35% sobre 40 milhões de euros.

O Palmeiras ganha mais do que isso com a exposição de seu nome e de sua camisa verde nos jornais da Espanha e da Itália. Há um mês isto acontece todos os dias por causa das fotografias de seu principal goleador. Se for campeão brasileiro e da Libertadores, terá ainda mais visibilidade e isso poderá significar mais patrocinadores, torcedores e parceiros comerciais.

Pode ser mais difícil segurá-lo se for campeão e artilheiro olímpico. Mas o aperto de mão com o Barcelona permite imaginar que o Palmeiras está perto de fazer um excelente negócio: manter Gabriel Jesus.


Fonte: Folha.com.br

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