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Opinião: A França de coração partido mais uma vez

Novamente, o terror atingiu o coração da França. Três grandes atentados em menos de dois anos. No dia em que o país celebrava o orgulho pela queda da Bastilha, o franco-tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, 31, avançou com um caminhão em alta velocidade sobre o numeroso público que comemorava a data, à noite, no Promenade des Anglais, o passeio da orla de Nice, cidade ao Sul, na região da Côte D’Azur. O saldo imediato do massacre: 84 mortos, 200 feridos (52 em estado grave). A tragédia fez o governo adiar por mais três meses o fim do período de exceção, quando as autoridades podem interrogar ou deter, sem mandado judicial, qualquer pessoa suspeita. Mas elas não conseguiram, no entanto, tranquilizar a população através do anúncio de novas medidas. Impactadas, limitaram-se a afirmar que será necessária a ajuda de outros países para fortalecer o combate às ações dos terroristas no continente.

Lamentavelmente, a cada um desses ataques sobrevém a inquietação sobre quando e onde acontecerá o próximo, pois o terror não se cansa de mandar os mais duros recados sobretudo à França, que segue reafirmando sua disposição em continuar intervindo no Iraque e na Síria, através da coalizão internacional. Enquanto o país permanece medindo forças com o Estado Islâmico, o clima de medo nas grandes cidades torna-se mais visível. Não são poucos os turistas que descrevem a atmosfera em Paris como “muito pesada, tensa”, lembrando a de lugares onde o sentimento das pessoas é de estarem sempre sob os olhos de uma força para a qual o governo não apresenta resposta compatível.

Inevitável é não temer pela vigilância desses olhos sobre as delegações estrangeiras que estarão no Brasil para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a partir de 5 de agosto. Diante da audácia do terror, o anúncio de que o governo federal disponibilizará um efetivo de 21 mil homens das Forças Armadas para fazer a segurança nas ruas, enquanto durar o evento, não é suficiente para produzir a tranquilidade necessária. Espera-se que os serviços de inteligência consigam trabalhar com afinco e precisão, evitando a proximidade de qualquer ameaça. O verbo da hora é desconfiar.


Fonte: Diário de Pernambuco

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