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Paulo Santos de Oliveira: A eterna peleja do general Abreu e Lima (II)

Por Paulo Santos de Oliveira

Romancista, autor de O General Das Massas e de A Noiva da Revolução

Em 1825, o então coronel Abreu e Lima viu-se envolvido em outros confrontos, agora de natureza política. Passou a ser atacado por gente que queria, por esse meio, atingir o Libertador, de quem era fiel escudeiro. E o fato de ser estrangeiro – pior ainda, brasileiro – fazia dele um alvo fácil.

Ora, o Brasil se separara de Portugal, mas, ao contrário dos seus vizinhos, tornara-se um império, não uma república. E o imperador D. Pedro I era tido como um absolutista ferrenho, ligado às monarquias europeias mais conservadoras, inclusive pelo casamento com uma princesa austríaca, D. Leopoldina. Caluniado pela imprensa por Antônio Leocadio Guzmán (1801-1884), o pernambucano, de temperamento exaltado, acutilou o rosto do desafeto com o sabre, em plena rua, e por esse gesto foi submetido a um conselho de guerra e enviado para a prisão no deserto de Bajo Seco, onde ficou por seis meses. 

No final de 1826, Abreu e Lima deu baixa do exército, mas Bolívar o chamou de volta, em 1828, e o incumbiu, junto com o abade Dominique de Pradt (1759-1837), de, escrevendo no Courrier Français, defendê-lo dos ataques que o filósofo Benjamim Constant (1767-1830) lhe fazia na imprensa francesa. A guerra política declarada contra as ideias bolivaristas havia cruzado o Atlântico.

Desgastado pelas campanhas difamatórias e sofrendo de tuberculose já em estágio avançado, o Libertador renunciou à presidência, dois anos depois, e saiu de Bogotá rumo ao litoral colombiano, de onde pretendia partir para o exílio na Europa. E Abreu e Lima, promovido a general, o acompanhou nesse derradeiro trajeto. Bolívar morreu em Santa Marta, na Colômbia, no dia 17 de dezembro de 1830. E poucos meses depois o pernambucano e outros militares estrangeiros foram expulsos de lá pelos inimigos do antigo líder, que haviam assumido o poder. 

Após uma viagem pela Europa, onde se encontrou com o rei Luís Felipe, da França, e com D. Pedro I, que já havia abdicado ao trono brasileiro, em 1831, o general voltou para o Brasil e estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde se alinhou com os conservadores do Partido Caramuru, abraçando as mesmas ideias de Hipólito da Costa, com quem polemizara, anos atrás. 

Decepcionado com o esfacelamento da Grã-Colômbia, Abreu e Lima passou a ver na monarquia constitucional o único sistema capaz de manter a nação brasileira coesa. Além disso, em sua opinião, o estabelecimento da república fortaleceria ainda mais o poder os grandes proprietários de terras; que, por ser o Brasil um país rural, já eram donos da maioria dos votos, controlando o parlamento e nomeando agentes públicos como juízes, delegados etc. E estes “senhores feudais” não estavam nem um pouco preocupados com o bem-estar do povo.


Fonte: Diário de Pernambuco

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