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Polícia Federal prende grupo que preparava ataque terrorista durante as Olimpíadas

Na foto, as For
Na foto, as Foras de Segurana e Defesa que atuaro nas Olimpadas e Paralimpadas Rio 2016 realizaram treinamento no aeroporto Galeo. Foto: Clarice Castro/ GERJ

A Polícia Federal realizou a primeira prisão no Brasil com base na lei antiterror. Foram presas dez pessoas de um grupo que jurou fidelidade ao Estado Islâmico e estava tentando planejar um ataque terrorista durante a Olimpíada. As prisões ocorreram em dez estados e um dos indivíduos é menor de idade. De acordo com a Polícia Federal são 12 mandados de prisão temporária por 30 dias que podem ser prorrogados. Os dois integrantes do grupo que não foram presos já foram identificados e a PF está fazendo buscas para prendê-los. Um dos integrantes chegou a tentar comprar um fuzil AK-47 pela internet. Em entrevista coletiva, o ministro da Justiça Alexandre de Moraes destacou que os presos faziam parte de um grupo amador e o único contato com o Estado Islâmico foi pela internet, no juramento postado em um site ligado ao grupo terrorista.

 

A autorização para a operação partiu da Justiça Federal do Paraná, onde mora o líder do grupo. O diretor de uma ONG no setor de Educação também foi alvo de um mandado de condução coercitiva por supostamente fazer apologia ao Estado Islâmico.

O grupo conversava sobre o planejamento de possíveis ataques através de aplicativos de mensagens instantâneas como Whatsapp e Telegram. Informações obtidas, dentre outras, a partir das quebras de sigilo telefônico e de dados, revelaram que os investigados defendiam a intolerância racial, de gênero e religiosa, e o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos. As mensagens interceptadas revelaram também que o grupo comemorarou os últimos atentados reivindicados pela organização terrorista, como os ataques em Orlando, na Flórida, e o ataque de Nice, na França.

De acordo com o ministro, não houve nenhum contato pessoal dos brasileiros com terroristas do EI. “Alguns integrantes do grupo realizaram um ‘batismo’ do Estado Islâmico, via internet. Foi o único contato que eles tiveram com os jihadistas. Os indivíduos estavam realizando atos preparatórios para um ataque. Eles começaram a combinar treinamentos de artes marciais e com armas. Um chegou a tentar comprar um Fuzil AK-47 em um site de armas clandestinas no Paraguai”, afirmou o ministro. Moraes afirmou que nunca foi marcado um encontro pessoal entre os integrantes do grupo, exceto de duas duplas em separado. Um deles cumpriu “pena privativa” por homicídio.

Lei antiterror prevê pena para atos preparatórios

Os artigos 3º e 5º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que disciplina o terrorismo preveem como crime:

Art. 3º: “Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista” e art. 5º: Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito”.

Para assegurar o êxito da Operação e eventual realização de novas fases, os nomes dos presos, sob custódia da Polícia Federal, não serão divulgados neste momento. O processo tramita em segredo de Justiça.

A proximidade dos Jogos Olímpicos é vista com preocupação pelas autoridades brasileiras, que avaliam que o país pode ser alvo de ataques durante o evento. O Estado Islâmico e outros grupos jihadistas conclamaram os seus seguidores a atuar como “lobos solitários” e realizar ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio, em agosto. Entre os alvos sugeridos estão as delegações e visitantes dos Estados Unidos, Inglaterra, França e Israel. Os métodos propostos abrangem a utilização de drones com pequenos explosivos, acidentes de trânsito e o uso de veneno e medicamentos.

A defesa dos ataques foi realizada em inglês por meio do aplicativo de mensagens Telegram, que costuma ser usado para estimular a ação de “lobos solitários”, revelou análise do SITE Intelligence, consultoria especializada na atuação de grupos extremistas na internet, que é referência no tema até para o governo dos Estados Unidos.

Em junho, o Estado Islâmico criou no Telegram o primeiro canal para disseminação de propaganda jihadista em português, voltado para o público brasileiro. Desde então, seguidores do grupo passaram a disseminar a incitação de atos terroristas por um grupo que se autointitula “Ansar al-Khilafah Brazil”, que se apresenta como baseado no País.

O autor das mensagens orientou os seguidores a se aproveitarem das favelas do Rio onde a criminalidade é disseminada e a usarem a “porosa fronteira” com o Paraguai para levar armas ao Brasil. “O recente post sobre os Jogos Olímpicos do Rio diz que ‘vistos, entradas e viagens para o Brasil serão fáceis de obter’”, ressaltou a análise do SITE. Segundo a empresa, os jihadistas utilizam o Telegram para fornecer manuais para realização de atentados e celebram a realização de ataques.

O SITE sugeriu que o governo brasileiro não descarte nenhuma ameaça e estude a ação online do Estado Islâmico e outros grupos jihadistas voltada não apenas para o público que fala português. “O terrorismo moderno é um novo fenômeno para o qual as mídias sociais desempenham um papel perigoso, com chamadas para ataques que alcançam usuários ao redor de todo o mundo”, afirmou a análise. “Os ataques terroristas nos últimos dois anos mostram que nenhum país do mundo está imune à ameaça do EI e de jihadistas radicais”. Na avaliação da consultoria, os recentes chamados para ataques nos Jogos Olímpicos não são surpreendentes. “Esse é um evento mundial e um alvo que é justificável tanto para EI quanto para outros jihadistas”.

Na avaliação da consultoria, ataques recentes por lobos solitários mostraram que a estratégica dos terroristas tem sido bem-sucedida. Há três dias, um imigrante afegão feriu quatro pessoas a machadadas na Alemanha, em um ataque que parece ter sido inspirado no EI. Na semana passada, um tunisiano matou 84 pessoas em Nice, na França, usando um caminhão como arma. Um mês antes, um filho de afegãos nascido nos Estados Unidos assassinou 49 pessoas a tiros em uma casa noturna gay de Orlando. “Isso só alimenta mais chamados por ataques e será preciso apenas um atacante disposto a agir no Brasil para desempenhar esse papel”, observaram os analistas do SITE.


Fonte: Diário de Pernambuco

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