Raimundo Carrero: Simplicidade e precisão marcam a obra de Luiz Cláudio Arraes

Por Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Para escrever sobre a arte do conto, semana passada, tratei do novo livro de Edney Silvestre – Welcome to Copacabana, editora Record -, agora volto ao mesmo tema, desta vez escrevendo sobre Luiz Cláudio Arraes, mais precisamente Lula Arraes, cuja obra é um exemplo de bom gosto, precisão e simplicidade com sofisticação. Seus livros quase não ultrapassam cem páginas, mas estão repletos de concisão, leveza e sedução.

Basta ler Tarde em Lisboa para conhecer a força deste autor que pode, tranquilamente, fazer de qualquer antologia universal do conto. São apenas duas páginas e meia e aí está toda a paixão humana com o que há de dor, inquietação e beleza.

Costuma-se dizer que não sou um bom crítico porque elogio demais os autores, mas tenho, pelos menos, três motivos para ser assim: 1 – não sou um crítico mas um criador que, às vezes, exerce a crítica. 2 – por ser essencialmente um criador conheço bem a intimidade do texto e posso entender o equívoco dos escritores; e 3 – não escrevo sobre o que não gosto, nem sobre aquilo que não me pareça digno de atenção. Lula Arraes está entre aqueles que julgo necessário e fundamental.

Digo isto porque acabo de receber, neste exato momento, a ligação telefônica de um amigo que se declara meu admirador, mas que me acha “bonzinho demais” e que por isso mesmo não mereço o título de “crítico”, mas de “Bajulador”. Tudo bem, aceito o insulto, mas reitero que não faço crítica convencional, examino as técnicas do autor, coisa, aliás, que nem todo crítico sabe fazer. Assim, não faço crítica, faço “exegese”. Gosto da intimidade narrativa.

Dito isso, vamos ao que o mestre Ariano Suassuna escreveu sobre a obra deste autor: “Eu admiro Luiz Arraes exatamente pelas qualidades de escritor que  ele possui e que eu não tenho. E admiro-o ao ponto de ser difícil, para mim, destacar um dos seus contos. Na verdade, todos os contos de Luiz Arraes  são escritos com a mesma precisão, dignidade e beleza”. Só discordo de Ariano num conto: Tenho uma absoluta preferência por Tarde em Lisboa, em que veja a tragédia e a comédia  da condição humana, além, é claro, da habilidade técnica de Lula Arraes. Não sei se um romancista escreveria tão bem num longo livro.


Fonte: Diário de Pernambuco

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