Reforma de estádio da Copa-2018 mantém estrutura da era stalinista

A construção de estádios de futebol quase sempre vem acompanhada de controvérsia.

Às vezes, ela se relaciona à fonte do dinheiro usada para pagar pela nova edificação. Em outros casos, as preocupações são graves, como as denúncias de abusos de direitos humanos contra operários envolvidos na construção de instalações para a Copa do Mundo do Qatar em 2022.

Na Rússia, que sediará o Mundial de 2018, atrasos na construção têm sido a principal questão.

A preocupação de que estádios não fiquem prontos a tempo não se restringe à Copa ou à Rússia. No entanto, existe um elemento particularmente incomum nas obras russas do estádio Luzhniki, em Moscou, que abrigará a abertura e o encerramento do torneio.

Marat Akhmadiyev, o mestre de obras do projeto, explicou essa idiossincrasia com simplicidade. “Construiremos um estádio novinho dentro de um estádio velho”, afirmou.

O Luzhniki, na região sudoeste da cidade, estava destinado desde sempre a ser a peça central para a Copa do Mundo da Rússia. Inaugurado em 1956, o estádio foi construído ao estilo da era stalinista. Sediou a Olimpíada de 1980, e uma estátua gigantesca de Lênin continua posicionada diante de seu portão principal.

No entanto, era necessária uma reforma para a Copa. Outros comitês de países-sedes poderiam optar por uma demolição e construção de uma estrutura nova, mas a organização russa decidiu criar um estádio moderno por trás da fachada soviética do estádio antigo.

Projetos ambiciosos de construção não são incomuns quando o assunto é a Copa. O Brasil construiu um estádio novo em Manaus para o seu Mundial em 2014, e o Qatar prometeu estádios dotados de ar-condicionado para 2022, mas a reconstrução do Luzhniki é especialmente desafiadora.

O trabalho também requer um conjunto atípico de ferramentas. Akhmadiyev e sua equipe de mais de 2.000 operários precisam estabilizar as velhas paredes externas do estádio –em alguns casos, removendo tijolos deteriorados um a um e os substituíndo– e ao mesmo tempo ampliar a cobertura e construir novas arquibancadas.

Guindastes especiais atendem à necessidade de movimento rápido entre o topo e a fachada, e as demandas eletrônicas incluem a instalação de um telão de última geração bem como cabeamento para a tecnologia que confere se uma bola entrou totalmente no gol e, talvez, para assistência em vídeo aos árbitros.

Tudo isso é empolgante para Akhmadiyev, que fez parte da equipe de construção das instalações para os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi. Ele disse que não se sente especialmente pressionado em seu trabalho, a despeito de ter sido encarregado de renovar um monumento nacional e de manter sua identidade cultural.

Roman Shirokov, meio-campista da seleção russa, elogiou o esforço de combinação do novo e do antigo.

“Creio que manter a fachada tenha sido uma boa ideia”, ele disse. “Será um novo estádio, mas continuará a manter o significado que existe para tantas pessoas”.

Tradução de PAULO MIGLIACCI


Fonte: Folha.com.br

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