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Roque de Brito Alves: Comentando brevemente

Por Roque de Brito Alves
Membro da Academia Pernambucana de Letras

1 – Sendo evidente o aumento dos crimes contra o patrimônio (sobretudo furto e roubo) em nosso país, conforme as estatísticas oficiais publicadas, é inegável que tal aumento está relacionado com a atual crise econômica, principalmente com um dos seus efeitos que é o desemprego. Embora não seja a sua única causa, é  um seu fator importante, o que, aliás, de há muito tem sido destacado pela Criminologia ao analisar a etiologia criminal, as causas do delito. Entendemos que o número crescente de criminosos jovens (de 19 a 25 anos) relaciona-se diretamente com o número crescente de desempregados jovens, de 24% segundo as últimas estatísticas, em  um fenômeno existente  principalmente nas grandes cidades como em  São Paulo que é a mais industrializada. O desemprego de jovens é um terreno fértil  para os traficantes de entorpecentes convencerem o jovem desempregado, frustrado, sem perspectiva de vida, socialmente excluído a ingressar no mundo do crime em sua utopia de sucesso,  de riqueza e de poder.

2 – Embora seja quase que diariamente louvado  em Pernambuco Luiz Gonzaga como o Rei do Baião,  é estranho que este ano não tenha havido em sua cidade natal – Exu -, a celebração de São João com as suas festas por falta de verbas … Sem dúvida, as tradições dos festejos juninos estão desaparecendo através de quadrilhas estilizadas que nada têm das originais quadrilhas juninas, de cantores de forró substituídos por cantores “sertanejos universitários” …

3 – Foi injustificável que no programa de televisão sobre o Museu do Estado, sábado passado, por omissão da diretoria, não houvesse a exposição ou sequer menção a nossa coleção de porcelanas europeias antigas doada a Pernambuco quando sem pedantismo tal coleção é a maior e a melhor em nosso país pois não existe nada igual em nenhum museu nacional ou em coleção particular de antiguidades. Rapidamente foram expostas várias salas do Museu, sem a exposição da louça brasonada da nobreza pernambucana, e a única sala que não foi exposta mesmo rapidamente foi a de nossa coleção de porcelanas, o que não deixa de ser muito estranho …

4 – A concessão recente de um habeas corpus a um ex-ministro foi juridicamente sui generis pois a concessão pelo Ministro do Supremo foi contra a decisão de um juiz federal de primeira instância  quando o normal salvo engano seria o habeas corpus ser impetrado perante um Tribunal Regional Federal, caso fosse negado haver o recurso para o Superior Tribunal de Justiça, e, afinal, se negado por esse ser dirigido o pedido ao Supremo Tribunal Federal, e assim, houve a supressão de instâncias o que não é o comum no caso …


Fonte: Diário de Pernambuco

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