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Rossana Claudya: O velho Chico…

Por Rossana Claudya
Advogada, escritora e jornalista

Dizem que a arte imita a vida, mas o fato é que de tempos em tempos vemos estampados nos folhetins novelísticos, mesmo com o “que” de inverossímil, situações da nossa política de forma lírica, ou crítica, a exemplo as novelas: Em O salvador da pátria os telespectadores poderiam, facilmente, perceber a mensagem daquela novela, ou quando não o forte enredo de Vale tudo ou Que rei sou?

Enfim, a dramaturgia tem esse papel e sua forma de manifestação, se dá de formas várias. Atenta  à dramaturgia representada na forma de “novelas”(porque sou fascinada por elas). em verdade aprecio descobrir a mensagem que elas tentam nos passar. Na mais recente, traz no bojo o tema: a morte no nosso Chico, ou melhor, do Rio São Francisco, no entanto, o tema principal dessa trama é uma faceta dantesca da nossa política: o movimento chamando o coronelismo. No Brasil esse movimento reporta-se ao período republicano no final do século 19. Este nome foi dado pois a política era controlada e comandada pelos coronéis que eram ricos fazendeiros.
 
Das características marcantes desse movimento era a manipulação de votos como a exemplo o voto de cabresto: na República Velha, o sistema eleitoral era muito frágil e fácil de ser manipulado. Os coronéis compravam votos para seus candidatos ou trocavam votos por bens matérias (pares de sapatos, óculos, alimentos etc.). Como o voto era aberto, os coronéis mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos. Contam os historiadores que com a Revolução de 1930 e a chegada de Getulio Vargas à Presidência da República, o coronelismo perdeu força e deixou de existir em várias regiões do Brasil. Pois bem. Sabemos que não é bem assim. Esses figurões da nossa política estão bem presentes em dias atuais.

Quem acompanha a operação Lava-Jato ver os coronéis com  nova” roupagem” vestidos com belíssimos ternos, gravatas e  fora de suas ricas fazendas, porém agora locados no alto parlamento brasileiro: o Congresso Nacional, ditando as regras, no trocadilho de favores ou quando não, fazendo leis em seu próprio benefício, ou roubando os cofres públicos. Eles estão lá, ocupando altos cargos como o senador Renan Calheiros, José Sarney e outros nomes citados. Fico a pensar que, coincidentemente, os estados que esses políticos representam como Alagoas e o Maranhão é conhecido por bolsões de misérias em algumas de suas cidades.

É mesmo muito  lamentável o quadro que se desenha em nossa política que em quase nada mudou dessa forma de fazer política que a novela Velho Chico retrata tão bem. Esta prática foi criada pelo presidente Campos Sales (1898-1902) e macula a nossa política até hoje. Só que, agora, as cifras são altíssimas, ao ponto de depreciar o nosso maior patrimônio, a Petrobras, manchar o nosso nome no mercado internacional e levar o país à bancarrota. Tiraram-nos tudo, só não o poder de votar. Acorda, Brasil!


Fonte: Diário de Pernambuco

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