Terezinha Nunes: Fé e compromisso

Por Terezinha Nunes

Jornalista

Acostumados a ouvir permanentemente de Roma que deveriam se afastar da política partidária, os cristãos católicos se surpreenderam com a posse do papa Francisco.

Logo depois de escolhido, Francisco concedeu uma entrevista a jovens no Vaticano e disse que os católicos deveriam participar da política porque esta era a melhor forma de “praticar a caridade”. Confirmou isso na sua primeira Encíclica “A Alegria do Evangelho” vaticinando que dar as costas à política é pecado pois a política governa o mundo.

No pontificado de Bento 16 já se via essa tendência em alguns cardeais do Vaticano, embora lá, como agora, a Igreja Católica não veja com bons olhos o envolvimento direto de bispos e padres na política partidária, deixando essa questão para os leigos. Aos sacerdotes, porém, a própria CNBB recomenda que devem trabalhar na conscientização política dos fiéis, coisa que se acentuou ultimamente com os conhecidos casos de corrupção e a enorme crise em que estamos metidos. E também tem dado sinais de que os sacerdotes podem animar os leigos a se candidatar.

Apesar de só com a ascensão de Francisco os católicos terem passado a se mover mais fortemente no ramo da política, com amparo nas novas comunidades que vêm surgindo e se fortalecendo e nos demais movimentos, existe há mais de uma década uma crescente movimentação com este objetivo. Ela está alicerçada a nível nacional na Renovação Carismática Católica que já conseguiu eleger deputados estaduais e federais, sobretudo no Sudeste.

Em Pernambuco, este movimento existe desde a década de 90 mas de forma tímida. Vem, porém, crescendo a olhos vistos. Há no movimento pernambucano uma característica diferente daquela do Sudeste, excessivamente calcada na RCC.  Aqui participam do Movimento Fé e Compromisso – como é chamada esta movimentação – não só a RCC como a Comunidade Obra de Maria, a Comunidade Boa Nova, Kairós, Resgate, Emanuel, o Apostolado da Oração, a Legião de Maria, Pastoral da Sobriedade e várias outras comunidades.

Este ano este movimento se fortaleceu com o lançamento de candidatos a vereador em vários municípios, sobretudo metropolitanos. Sabe-se que, independente de Roma, após o Vaticano II, alguns bispos e padres levaram a Teologia da Libertação para as Igrejas formando as chamadas “comunidades eclesiais de base”, células políticas que depois ajudaram na fundação do PT. Essas próprias pessoas, com raríssimas exceções, se distanciaram do PT por não concordar com os rumos tomados.

A Teologia da Libertação hoje é mais peça de estudos do que realidade na Igreja Católica. A forma de participação política de agora não busca protagonizar. Estrutura-se para trabalhar dentro dos partidos existentes e nas casas legislativas praticar a defesa dos direitos humanos e a misericórdia, outro ponto ressaltado pelo papa Francisco, ao afirmar que todas as pessoas precisam ser respeitadas, independente inclusive da orientação sexual. Há também, um compromisso inarredável com a ética de forma que se algum candidato ou eleito distanciar-se desse compromisso sofrerá punição.


Fonte: Diário de Pernambuco

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