Valéria Barbalho: Pioneiros do país de Caruaru

Por Valéria Barbalho
Escritora

Numa rede social, a psicóloga caruaruense Flaviana Arruda Barbosa postou a foto de um carro e o comentário: “Automóvel inglês da marca Perfect, cor verde musgo, pertencente a Deolinda Lyra de Arruda, conhecida como Pinina, adquirido na década de 50. Ela foi a primeira mulher a dirigir em Caruaru. Na época, por onde passava causava espanto: uma mulher dirigindo!”. Achei a publicação tão interessante que resolvi garimpar, nos livros do meu pai, Nelson Barbalho, informações sobre esse curioso assunto. Encontrei muitas histórias. Seguem algumas:

O primeiro farmacêutico que chegou na Capital do Agreste, o francês Jean Barthlemy Pegot, pai adotivo do famoso Major Sinval, fundou a Pharmácia Franceza, a primeira da cidade. Foi desta farmácia o primeiro rádio de Caruaru. Quando ligado, chamava a atenção do povo que parava na frente deste estabelecimento para ouvir aquela maravilha que “falava”. Em 1918, as primeiras máquinas de escrever da cidade foram expostas na Franceza, para serem vendidas. Porém quem adquiriu a primeira máquina Rex Virible, fabricada nos Estados Unidos, foi o tabelião público Leocádio Rodrigues Duarte Porto, para usar em seu cartório.

As costureiras caruaruenses, ponto por ponto, com agulhas, linhas e as próprias mãos, costuravam muito bem. Mas foi da portuguesa Maria Pinto Vieira de Melo, conhecida como Dona Sinhá, a primeira máquina de costura da Terra de Vitalino. Esta engenhoca causou certa inveja entre aquelas profissionais do ramo: “costurar assim é fácil”, comentavam. Dona Sinhá era casada com João Vieira de Melo e mãe do primeiro Ministro do País de Caruaru, Alfredo Pinto Vieira de Melo. A família morava na melhor casa da cidade, a primeira com água encanada e banheiro com sifão. Pertenceu, também, a esta ilustre família o primeiro piano da Capital do Forró. O transporte deste instrumento da Europa até a residência dos Vieira de Melo foi uma verdadeira odisseia.   

O senhor João Pereira da Silva Napoleão foi o proprietário do primeiro ônibus que circulou na cidade. Este veículo apelidado de “O Pioneiro”, todos os domingos, fazia um passeio das imediações do Colégio das Freiras até a praça Pedro de Souza. O percurso, ida e volta, era de aproximadamente 2 km (passava duas vezes nas mesmas ruas) e custava dez tostões. O povo, curioso, querendo conhecer a novidade, ficava nas calçadas esperando o ônibus, lotado, passar e dava adeus aos passageiros, como se eles fossem fazer uma grande viagem. Autêntica comédia! Ainda queria falar sobre a primeira professora, o primeiro médico, o primeiro hospital, etc., mas o espaço do jornal não comporta, em um só artigo, tantos pioneiros do País de Caruaru. Que pena!


Fonte: Diário de Pernambuco

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