Associações do Ministério Público rebatem Mendes e defendem Janot e a Lava Jato

Seis associações que representam membros do Ministério Público divulgaram nesta quarta-feira nota de apoio ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e à força tarefa da Operação Lava Jato.

O texto é uma reação às declarações feitas nessa terça-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que criticou vazamentos de informação da Lava Jato, disse que os procuradores não podem se achar o “ó do borogodó” e que precisam calçar “as sandálias da humildade”.

As entidades, que somam 18 mil membros, manifestam apoio aos “excepcionais esforços e trabalho” de Janot e dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato e dizem que a atuação do Ministério Público na operação “tem sido técnica, completa” e avança “sempre em busca da elucidação dos fatos, sem escolher e sem evitar o envolvimento de quem quer que seja”. O texto destaca que, com a Lava Jato, o MP conseguiu levar à Justiça o “maior esquema de corrupção já descoberto no país”.

“Neste caminho, interesses poderosos, sem dúvida, são contrariados, paradigmas negativos são quebrados, e soam no ar muitas vezes as injustiças contra os investigadores. À falta de argumentos sólidos, são lançadas à Lava Jato e ao PGR diretivas vagas e acusações vazias de pretensos abusos que raramente são especificados e que não são confirmados por qualquer instância do Poder Judiciário.”

O texto também questiona a acusação de vazamento de informações feita a partir de reportagem da revista Veja, que revelou a suposta citação do ministro do STF Dias Toffoli durante a negociação da delação premiada do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro. Segundo os integrantes do MP, ficou esclarecido que a informação publicada “sequer esteve em poder do Ministério Público”, como afirmou Janot ontem.

“Que este caso de conclusões apressadas e anteriores a qualquer investigação fique como alerta para a opinião pública: o Ministério Público no caso Lava Jato – do procurador-geral da República e equipe, aos procuradores de Curitiba – jamais usaria ou usou de semelhantes e ilegais expedientes”, diz a nota assinada pelos presidentes da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), da Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM) e da Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT).

O trabalho do Ministério Público, segundo os associados, permite que o país acredite ser possível vencer a impunidade e tem como missão defender a ordem jurídica, a Constituição Federal e o patrimônio público no país.

Mais cedo, a Associação dos Magistrados Brasileiros também divulgou nota em resposta às declarações de Gilmar Mendes sobre a Lava Jato e sobre o que o ministro considera vantagens indevidas de alguns membros do Judiciário.


Fonte: Diário de Pernambuco

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