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Chacina de Osasco completa um ano e parentes de vítimas fazem ato em SP

Para cobrar a elucidação das chacinas nas cidades de Osasco, Itapevi e Barueri e o pagamento de indenização às famílias das vítimas, a organização não governamental Rio de Paz fez, na manhã desta sexta-feira um ato no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Participaram parentes de sete vítimas. Os crimes, que deixaram 19 mortos, completam um ano nesta sexta-feira.

As cadeiras vazias no ato foram usadas para lembrar o espaço que a morte dessas pessoas deixou na vida de suas famílias. Segundo Fernanda Vallim Martos, coordenadora da Rio de Paz em São Paulo, a Defensoria Pública entrou com pedido de indenização contra o governo do estado.

“O governo do estado já está ciente. As famílias precisam receber uma boa quantia, porque a vida delas parou, se desestruturou. Na maioria dos casos, quem faleceu foi o provedor da casa”, disse Fernanda.

Esse é o caso de Antônia Gomes da Silva, mãe do Jailton Vieira da Silva, que tinha 28 anos quando morreu. Ele trabalhava como eletricista, encanador e pedreiro para sustentar os três filhos. Foi morto no bar, onde morreu a maioria das vítimas da chacina.

“A gente está cobrando para que a Justiça tome uma providência, para que outras mães não precisem chorar. Nossos filhos eram quem trabalhavam, sustentavam a casa. Hoje, a gente depende dos outros. Eles só mataram inocente. Meu filho trabalhava e sustentava os três filhos, espero que não venha a acontecer o mesmo com meus netos”, disse Antônia.

Maria José de Lima Silva, de 50 anos, doméstica, perdeu o filho Rodrigo Lima da Silva, de 16 anos. O adolescente estava numa sorveteria, onde foi assassinado com o sorvete na mão. “Esse ato representa muita tristeza, muita dor, amargura no meu coração, muita saudade. Meu filho era o caçula. Essa é a pior data do mundo.”

Rodrigo deixou ainda a namorada grávida. A criança está agora com sete meses. “O sonho do Rodrigo era trabalhar, casar. Eu tento esquecer, conversar com as minhas vizinhas, outras mães, mas a dor não sai”, acrescentou Maria José.

Ana Aparecida Adriana de Lima, de 47 anos, vendedora, perdeu o irmão Thiago Marcos Damas, de 32 anos. Ele era auxiliar de escritório e tinha ido à casa de sua irmã para ajudá-la a montar um guarda-roupas e comemorar o aniversário. “Ele estava esperando para dar um abraço e um beijo na nossa irmã, porque era aniversário dela. Ele estava voltando para casa, quando foi morto no ponto de ônibus”, lembra.

Ela admite que será difícil superar a saudade. “Tudo eu lembro dele. Vou fazer uma comida, lembro. Uma brincadeira dentro de casa, lembro. A alegria da casa acabou. Todo mundo cabisbaixo. A Justiça vai, pelo menos, amenizar a dor.”

Memória
No dia 13 de agosto, uma série de assassinatos deixou 19 mortos nas cidades de Osasco e Barueri, região oeste da Grande São Paulo. A principal hipótese das investigações é a de que a chacina tenha sido cometida por policiais militares, como vingança pela morte do policial militar Avenilson Pereira de Oliveira, no dia 7 de agosto, em Osasco. Os policiais investigam ainda a possibilidade de que os homicídios sejam um revide à morte de um guarda-civil, no dia 12 de agosto, em Barueri.

No total, 18 policiais militares foram alvo de mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos documentos, celulares e outros materiais que poderiam comprovar a participação dos suspeitos nos crimes. Além disso, a Justiça Militar decretou a prisão preventiva do soldado Fabrício Emmanuel Eleutério. Ele foi reconhecido pessoalmente por um sobrevivente da chacina. O soldado negou a participação nos assassinatos.


Fonte: Diário de Pernambuco

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