Confira como a Seleção escolheu Weverton e o ajudou contra a Alemanha

Preparador de goleiros da Seleção Olímpica, Rogério Maia explica detalhes desde o corte de Prass até o pênalti salvo contra a Alemanha


GOAL Por Tauan Ambrosio 


Um torneio de extrema importância, ainda mais depois dos 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014, e uma decisão dramática, delicada e vital a ser tomada. Depois do corte de Fernando Prass, quem poderia substituir o goleiro palmeirense no gol da Seleção que, dentro de sua própria casa, tinha a missão/obrigação de conquistar o inédito ouro olímpico?

A comissão técnica optou por chamar Weverton, do Atlético-PR. Foi a primeira opção do Brasil. Treinador de goleiros da Seleção Olímpica que entrou para a história ao garantir o tão sonhado ouro, Rogério Maia contou, em entrevista exclusiva, como foram os momentos desde a lesão de Prass ao excelente desempenho do goleiro atleticano, chamado às pressas, na disputa de pênaltis que enfim levou o Escrete Canarinho ao lugar mais alto do pódio.

Como na maioria das histórias clássicas, ou novelas, o caminho do protagonista (no caso, a Seleção) foi marcado por um trauma. Ainda no início da preparação visando os Jogos Olímpicos, Fernando Prass, um dos líderes do grupo, sentiu o cotovelo e acabou sendo cortado. Uma lesão causada pelo impacto do jogador de 38 anos no gramado. Prass seguiu com o grupo até Goiânia, onde o time disputaria amistoso contra o Japão, mas não aguentou as dores.

Rogério, em trabalho com Prass na Granja Comary (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Convocação rápida, mas pensada com muito carinho (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Foi somente após o seu corte ser oficializado que a comissão técnica sentou para decidir quem seria o substituto. Na TV e internet, muito se falava da possibilidade de buscar Alisson, titular da Seleção principal e que há pouco tempo estava na Roma. Mas a escolha do novo camisa 1 precisava ser tomada rápida. O goleiro em questão teria que ter certa habilidade com a bola nos pés e, claro, segurança. Ser pegador de pênaltis era visto como característica fundamental. É lógico que Weverton estava no radar.


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“Foi primeira opção! Até pelo seguinte detalhe: nós estávamos no Brasil, a busca tinha que ser rápida. A competição já ia começar, a pessoa tinha que se juntar ao grupo, entender como a equipe estava jogando… Foram coisas do destino, focamos muito nessa opção. Outros fatores fundamentais foram a habilidade dele com os pés e, também, por ser um pegador de pênaltis. Isso pesou muito” relembra, exclusivamente para a Goal, o treinador de goleiros Rogério Maia.

No Brasileirão de 2015, ninguém defendeu tantos penais quanto Weverton: foram 3 defesas em 5 cobranças encaradas, um aproveitamento mais do que positivo. Apesar de nunca ter enfrentado o atleticano quando trabalhava no Coritiba, Rogério Maia conhecia bem o jogador nascido em Rio Branco, no Acre. E foi por isso que, em um clima amistoso, eles até brincaram com o fato de nunca terem se enfrentado no clássico paranaense.

No início, Weverton mostrou um pouco de nervosismo… mas depois se recuperou (Foto: JUAN MABROMATA/Getty Images)

Weverton estava feliz pela oportunidade com a Seleção. Mas, assim como boa parte de seus companheiros de time, mostrou certo nervosismo nos primeiros jogos: “Ele não tinha jogado ainda na Seleção, e leva um tempo para se adaptar. Ele soube superar muito bem isso. Ele precisava de uma semana, de uns dois jogos, para se acostumar. Depois do segundo jogo, ele passou a se sentir em casa, jogou como se estivesse no clube dele e nós tivemos a melhor defesa”.

Rogério Maia, ao lado de Weverton (Foto: Arquivo pessoal)

Realmente a evolução de Weverton foi notória, assim como a de todo o time. No torneio olímpico, ninguém ficou tantos jogos sem levar gols quanto o brasileiro (5). Quando viu a sua rede balançando, foi logo na final contra a Alemanha. O empate em 1 a 1 levou a decisão do ouro para os pênaltis, um dos principais motivos para a convocação do acreano. Rogério relembra em detalhes como foi a preparação antes do jogo começar no Maracanã, e revelou ter passado para o camisa 1 do Brasil conselhos de um especialista e ídolo neste tipo de situação: Taffarel.

(Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

“A gente estudou muito os batedores da Alemanha. O nosso analista de desempenho, o Bebeto, nos passou todos os detalhes dos batedores: a maneira deles correrem para a bola, a força da batida, o canto…  As informações foram todas passadas um dia antes da final. Eu peguei elas e fui conversar com o Odair (auxiliar de Micale), que foi jogador e batia pênaltis. A partir disso, juntei três informações: o modo como os alemães batiam os pênaltis, as dicas que o Odair passou sobre o que cerca em torno do momento de bater o pênalti e, claro, o meu conhecimento”.

Especialista em pênaltis, e atual técnico de goleiros da equipe principal, Taffarel passou conselhos importantes (Foto: GABRIEL BOUYS/Getty Images)

“Eu também mantive uma comunicação constante com o Taffarel (treinador de goleiros da Seleção principal). O Taffarel passou muito da experiência dele, foi muito importante no equilíbrio emocional. E antes do jogo começar, repassei ao Weverton algumas coisas ditas pelo Taffarel”.

“Antes de entrar em campo, a gente já tinha mostrado a ele um vídeo de celular com as informações dos pênaltis. Isso antes da final começar, porque não é algo que dá para fazer em cinco minutos, antes dos pênaltis. Antes dos pênaltis, você só faz uma revisão. É como se fosse uma preparação para uma prova, a cabeça do cara fica a mil por hora”.

Em 5 cobranças, Weverton pegou uma e acertou o lado em outras 3 (Foto: JUAN MABROMATA/Getty Images)

Depois de muito trabalho, informação e defesas… o tão sonhado ouro! (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Quando as batidas alternadas começaram, ficou claro que todo o trabalho foi muito bem conduzido. Dentre as cinco cobranças adversárias, o goleiro do Brasil acertou o canto três vezes e ainda defendeu o chute de Nils Petersen. Logo depois, Neymar estufou as redes e a Seleção ficou, enfim, completa no hall das conquistas possíveis.

Credenciado pelas boas atuações na Olimpíada, Weverton foi lembrado por Tite em sua primeira lista como técnico da Seleção principal. O goleiro do Atlético-PR está com o grupo para os jogos contra Equador e Colômbia. Recebeu a camisa nº 23, que em um primeiro momento o coloca no banco de reservas. Na opinião de Rogério Maia, Weverton já deu um passo importante. Agora, a próxima etapa é mostrar para Taffarel, treinador de goleiros de Tite, todo o seu valor na briga pelo espaço de titular.

Números de Weverton na Olimpíada

Weverton, em treinamento na Seleção principal (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)


Fonte: Goal.com

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