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Desaparecimento de Davi Silva completa dois anos e aguarda desfecho na Justiça

Ação corre em segredo de justiça na 14ª Vara dos Crimes contra a Criança

 

Se o ditado que diz que a esperança é a última que morre, os dois anos que se passaram desde a última vez que dona Maria José da Silva viu seu filho Davi é tempo demais por uma busca sem respostas, mas continua sendo motivo de esperança para encontrar um dia algum sinal do jovem. No olhar marejado por lágrimas, Maria José não se cansa de afirmar que seguirá na luta até saber o que de fato aconteceu com o filho.

Na simples casa onde vive, no conjunto Moacir Andrade, no Benedito Bentes, ela conversou com a reportagem do CadaMinuto na véspera do dia que completam dois anos do sumiço do filho. As lembranças de Davi também estão pela casa. Na sala, uma foto de jovem está emoldurada na parede ao lado de um quadro com uma foto antiga de dona Maria. Falar do filho ainda não é fácil para ela, que entre pedidos de justiça para o caso e o relato dos últimos momentos que viu o filho, o choro era inevitável.

A rotina e a saúde também mudaram ao longo dos últimos dois anos. “Eu não durmo bem, minha pressão só vive alta, eu vivo nos médicos tomando remédio sentindo a falta do meu filho, agora procuro ele e não acho”, lamentou.

Emocionada ao lembrar de Davi, ela cobrou várias vezes por uma solução para o caso. “Na última vez que vi ele tava por aqui, entrava e saía de casa toda hora, aí depois vieram me dizer que ele tinha entrado naquele carro [viatura] e levaram. Comecei a correr por aqui, fui no Frei e nada. “A Justiça tem que fazer alguma coisa, eu quero Justiça, quero saber o que aconteceu com meu filho. Se ele está vivo que apareça, se não tiver, ao menos que eu possa ver o corpo dele”, disse.

Davi saiu de casa na manhã do dia 25 de agosto de 2014, uma segunda-feira, com um amigo. Foi abordado por uma guarnição da polícia militar, apreendido na posse de uma “bombinha” de maconha, colocado na viatura e nunca mais foi visto. De lá para cá, O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia por tortura seguida de morte e ocultação do cadáver, contra Eudecir Gomes, Carlos Eduardo Ferreira, Vitor Rafael Martins e Nayara Andrade, todos soldados do Batalhão da Radiopatrulha, todos indiciados no inquérito. A ação penal tramita hoje em segredo de justiça na 14ª Vara dos Crimes contra a Criança, o Adolescente e o Idoso, mas ainda não há previsão de quando terá prosseguimento.

Além da família, os militares acusados de envolvimento no sumiço de Davi também aguardam que o caso tenha prosseguimento na Justiça alagoana. A defesa dos militares também reclama da demora no andamento da ação.

O advogado dos quatro militares, Leonardo de Moraes, disse ao CadaMinuto que apresentou dentro do prazo a petição e as respostas à acusação feita na denúncia do Ministério Público Estadual, arrolando as testemunhas e requerendo diligências a serem realizadas.

"Atualmente, estamos aguardando o cumprimento das diligências requeridas e que seja marcada a audiência para oitiva de testemunhas e interrogatório. A testemunha Daniel [que estava com Davi no momento da abordagem] será ouvida. Por enquanto vamos aguardar o impulso do processo pelo juízo da 14° Vara criminal da capital", disse.

Por meio da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) fomos informados que os órgãos já foram oficiados para cumprir as diligências determinadas. Quanto às testemunhas, o Tribunal de Justiça informou que serão chamadas quando o titular da unidade, juiz Odilon Marques, voltar das férias, dia 7 de setembro.

Os mistérios do Caso Davi Silva

Desde que Davi foi dado como desaparecido uma das principais perguntas que continuam sem resposta é com relação ao paradeiro do corpo. Ás vésperas de completar um ano de sumiço, um corpo foi encontrado no dia 08 de agosto de 2015 próximo a um terreno baldio no conjunto José Tenório e acendeu novamente a chama da esperança dos familiares em conseguir colocar um ponto final no drama.

Passaram-se quase três meses para o Instituto de Criminalística descartar a hipótese. O confronto genético do DNA do corpo e da mãe de Davi não confirmaram o parentesco.

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Desde então nenhuma nova informação sobre o corpo do jovem surgiu, o que só fez aumentar a angústia da família que busca respostas.

Denúncia do MP aponta que Davi foi torturado

A denúncia contra os quatro militares da guarnição que abordou Davi foi feita no dia 05 de agosto do ano passado. Os promotores Thiago Chacon Delgado e Dalva V. Tenório e o procurador-geral de Justiça Sérgio Jucá denunciaram os militares por tortura, assassinato e ocultação de cadáver. Na época, o MP divulgou que várias testemunhas foram ouvidas e, uma delas, considerada a mais importante, é o adolescente que estava com Davi no dia em que o fato aconteceu. 

À polícia judiciária, o jovem teria relatado que ao serem revistados pelos policiais (ele e Davi), foram encontrados dois “saquinhos de maconha, um saquinho com cada um” e, após essa revista, os indiciados o liberaram, mas, algemaram Davi Silva e o “colocaram na mala da viatura, alegando que dariam uma volta com o adolescente e que depois iriam liberar o mesmo”. Porém, esse adolescente contou que Davi jamais fora visto novamente. Ele também disse que, após ver o amigo sendo detido, correu para comunicar a ocorrência à família da vítima.

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