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Editorial: A doação de órgãos

A dor de famílias brasileiras que perdem seus entes queridos de maneira inesperada pode ser minimizada pela doação de órgãos que proporcionará a preservação da vida de milhares de pessoas que se encontram nas filas – muitas há vários meses e até anos – dos centros de transplante espalhados por todo o Brasil. A gratidão de familiares dos doentes, que muitas vezes estão desenganados pelos médicos, que retomam a vida normal, após receberem novos órgãos, servem de bálsamo para o sofrimento daqueles que perderam um ente querido. Mas o país enfrenta grave problema com a queda do número de doadores.

Dados levantados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) revelam que, no primeiro trimestre deste ano, houve redução preocupante na taxa de doação em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o levantamento da entidade, a taxa brasileira de doador efetivo no ano passado foi de 14,1 transplantes por milhão de habitantes, enquanto a obtida de janeiro a março deste ano foi de 13,1, redução de 7,1%. 

O presidente da entidade, nefrologista Roberto Manfro, revelou ao Estado de Minas que, em anos anteriores, o crescimento no número de doadores estava dentro da expectativa. Ele acredita que o atual momento vivido pelo país, como a crise econômica, o desemprego e outras mazelas socioeconômicas, possa influenciar a população, que não se sente encorajada a estimular a doação de órgãos.

Para que essa tendência seja revertida em todo o Brasil, os incentivadores de campanhas de doação ressaltam que o futuro doador tem de manifestar a intenção claramente a seus parentes, já que ainda existe muita resistência à prática. Hoje, mais de 40% dos familiares de possíveis doadores de órgãos recusam o procedimento pelos mais variados motivos. Por isso, a manifestação da vontade de doar em vida torna-se tão importante.

O nefrologista Manfro reforça que a manifestação clara da vontade de cada cidadão é a melhor estratégia para mudar o alto índice brasileiro de recusa de doações, já que os familiares não autorizam o procedimento ao receber o diagnóstico de morte encefálica. Ele frisa que “por maior que seja a dor da perda, o desejo pessoal de se tornar doador é quase sempre respeitado pela família”. As autoridades médicas brasileiras não devem medir esforços para, com as instituições médicas, tentar reverter esse quadro, pois milhares de vidas dependem da doação de órgãos.


Fonte: Diário de Pernambuco

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