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Editorial: de volta aos trilhos da história

Os horários das partidas dos vagões foram anunciados na seção Página Avulsa, na edição de 8 de fevereiro de 1858 do Diario de Pernambuco. Neste dia, 400 passageiros tiveram o privilégio de experimentar um novo meio de transporte. Era uma locomotiva da Recife and São Francisco Railway Company que faria a sua primeira viagem.

A ferrovia Recife-São Francisco, a segunda do Brasil, ligaria primeiramente a capital da província à vila do Cabo, numa extensão de 31,5 quilômetros. Construída pelos ingleses, a estrada de ferro da Great Western, em bitola de 1,60 metro, ajudou a desenvolver as cidades por onde os trilhos passaram.

Pioneiro na utilização de bondes a vapor, o Recife foi a segunda cidade do país, atrás do Rio de Janeiro, a andar nos trilhos ainda em 1867, com a linha Porto-Apipucos. Porém, quando chegou o século 20, a capital pernambucana começou a sair dos trilhos.

Das grandes capitais brasileiras, foi a última a aderir ao transporte eletrificado. Em 1914, os bondes abandonaram os burros. Na década de 1920, o Recife já possuía o terceiro maior sistema de bondes urbanos do Brasil. As composições vinham da Inglaterra, desembarcavam no Porto do Recife e recebiam o tratamento para circular pelos bairros.

Por causa da segunda guerra mundial, a importação ficou mais difícil e os trilhos passaram a ser cobertos pelo asfalto. Ter carro era símbolo de prestígio. O transporte público foi para a privada do desenvolvimento. Nós, passageiros, ficamos a ver navios. Sem bonde nenhum passar.

Pernambuco só voltou a ter transporte ferroviário com a entrada do metrô do Recife, em 1985. Agora, 158 anos depois da primeira viagem de trem em direção ao Cabo, foi anunciada nova ligação férrea com a cidade, desta vez atingindo o Complexo Industrial e Portuário de Suape. Uma ramificação do metrô, com 11 quilômetros de extensão, beneficiaria diretamente 20 mil passageiros por dia.

O projeto será apresentado ao ministro das Cidades, Bruno Araújo, nesta segunda-feira, em reunião com técnicos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Aos poucos, passado e futuro se encontrarão em uma mesma estação.


Fonte: Diário de Pernambuco

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