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Editorial: Vigilância no combate à Aids

A luz vermelha está acessa para o combate à Aids em todo o mundo, que corre o risco de ver os reconhecidos avanços na luta contra a doença desaparecerem. O alerta parte de especialistas e autoridades sanitárias que se mostram preocupados com a falta de investimentos em prevenção, desenvolvimento e acesso a medicamentos. Em conferência internacional sobre a Aids, realizada na África do Sul, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Kin-Moon, advertiu a comunidade médica global de que os ganhos no enfrentamento à doença são frágeis, já que mais da metade da população mundial infectada pelo vírus HIV ainda não recebe tratamento adequado.

O restrito acesso aos medicamentos pode colocar em risco a meta do organismo internacional de extirpar a epidemia até 2030, por meio de uma estratégia segundo a qual pelo menos 90% das pessoas infectadas seriam diagnosticadas. Desse percentual, 90% receberiam tratamento e, desse total, 90% ficariam com uma carga viral tão baixa que dificilmente seria detectada. Para Moon, a comunidade internacional tem de se mover com celeridade e eficiência, com o intuito de extirpar epidemia tão devastadora.

Ficou claro, na conferência realizada no continente africano, que o planeta passa por um momento crucial da epidemia da Aids. Relatório do Programa das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) releva falhas nos programas de prevenção, o que tem levado à estabilização e até ao aumento, em determinadas regiões do mundo, de novas infecções. Os especialistas reunidos na África do Sul advertiram que, se não forem feitas as escolhas estratégicas adequadas, o mundo pode testemunhar uma reversão nos avanços já alcançados.

A exclusão e a discriminação das comunidades mais vulneráveis à contaminação – homossexuais, usuários de drogas injetáveis, prisioneiros, entre outros – também merecem atenção especial da sociedade, pois representam outro fator para a disseminação do vírus. No entendimento dos participantes do encontro, a defesa dos direitos desses grupos não é apenas uma questão moral, mas também científica.

No Brasil – o país é referência mundial no tratamento da Aids -, também se questiona a estratégia de enfrentamento à doença, que não valoriza a prevenção tanto quanto o tratamento. A Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), em documento divulgado recentemente, classifica como “grave” a situação brasileira, justamente por considerar equivocada a estratégia focada no tratamento, em detrimento da educação e prevenção. O que se espera é que as autoridades de saúde brasileiras encontrem um denominador comum entre as duas visões, para que não se percam os enormes esforços feitos até agora no combate à Aids.


Fonte: Diário de Pernambuco

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