Em debate no Instituto dos Cegos, candidatos criticam Geraldo Julio

Foto: Larissa Rodrigues/DP
Foto: Larissa Rodrigues/DP

A acessibilidade e as demais necessidades de pessoas com deficiência foram debatidas pelos candidatos a prefeito do Recife, nesta terça-feira (23), no Instituto dos Cegos da cidade, no Derby. Uma carta com 14 propostas foi entregue a cada um pela Associação Pernambucana de Cegos. Segundo a entidade, a capital tem atualmente 491 mil pessoas com deficiência. A dificuldade de locomoção dessa fatia da população, assim como dos demais habitantes, foi o mote usado pelos prefeituráveis para criticar a atual gestão, do prefeito e candidato à reeleição Geraldo Julio (PSB). Os cinco postulantes que compareceram ao evento exploraram, também, a ausência de Geraldo.

Edilson Silva (PSOL) pediu a palavra para falar primeiro porque precisou comparecer à Assembleia Legislativa, onde haveria a votação de dois projetos de seu interesse. Ele avaliou as calçadas como fundamentais para as pessoas com deficiência e defendeu a vinda de uma unidade do hospital Sarah Kubitschek para o Recife, referência na reabilitação de deficientes.

Para Daniel Coelho (PSDB), é na calçada que começa a mobilidade, porque para usar qualquer modal de transporte antes é preciso caminhar. O tucano desaprovou o plano de requalificação de 134 quilômetros de calçadas anunciado pela prefeitura na última segunda-feira (22). “O atual prefeito novamente anuncia investimento em calçada, já prometido na campanha anterior, e tenta fazer um debate através da mídia, sem coragem de estar presente.”

O candidato também censurou a administração petista nesse quesito, algo também criticado por Edilson. “A lei aprovada em 2004, na gestão PT, tira da prefeitura a responsabilidade em relação às calçadas, iniciativa completamente equivocada”, disse Daniel.

Em seguida, o candidato do PT, o ex-prefeito João Paulo, começou sua explanação respondendo sutilmente às criticas de Daniel e Edilson. “É muito bom dizer que a prefeitura é responsável por tudo. Mas numa cidade pobre como Recife, onde o saneamento está nas mãos do estado, é preciso priorizar”, ressaltou, sem entrar no embate frontal com os dois. Já sobre Geraldo Julio, João destacou: “tudo que nós conseguimos avançar retrocedeu na gestão de Geraldo Julio. Em qualquer comunidade a reclamação é a mesma, principalmente sobre saúde. Em alguns lugares, ele terá dificuldade de circular como eu, você, Priscila, Daniel ou Carlos Augusto. É um nível de insatisfação que nunca vi.”

De olho em um possível segundo turno, João tentou demonstrar proximidade com a candidata Priscila Krause (DEM), citando a democrata várias vezes durante sua fala. A recíproca, no entanto, não foi a mesma. Priscila evitou críticas duras contra Geraldo Julio e afirmou apenas que considera uma estratégia do socialista não comparecer aos debates. Ela relatou que andando pelo Recife há 12 anos percebeu a diversidade local e o desafio de governar para todos. “São vários Recifes e vários recifenses. Não vamos mentir para a população inventando coisas mirabolantes que não poderão ser cumpridas.”

O candidato do Partido Verde, Carlos Augusto, considderou que Geraldo deve estar avaliando os lugares que vai durante a campanha. “Mas nós vamos a todos os debates, porque são espaços democráticos que permitem a discussão de caminhos para a cidade. Das propostas recebidas hoje, havia absorvido várias, especialmente a da comunicação. A cidade que incorpora a comunicação das pessoas com necessidades específicas é mais inclusiva, cresce mais e consegue respeitá-las.”


Fonte: Diário de Pernambuco

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