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Estão criando um monstro na CBF, e Tite precisa mudar isso

Neymar não é um líder, tem atitudes lamentáveis e comete erros, mas é sempre defendido e segue fazendo o que bem entende na Seleção Brasileira

“Estamos criando um monstro”. Em 2010, um revoltado René Simões resumiu Neymar desta forma, indignado com a “falta de educação do garoto dentro de campo” e “por ninguém estar fazendo absolutamente nada para educá-lo”. Anos mais tarde, inclusive recentemente, o treinador mudou sua opinião, e acredita que o craque mudou para melhor.


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De fato, desde então, Neymar melhorou sua postura e amadureceu em vários sentidos, mas isso se considerarmos apenas seus últimos dois anos no Santos e as temporadas que ele tem acumulado pelo Barcelona. Seu comportamento no clube europeu, apesar de algumas polêmicas pontuais, é indiscutivelmente melhor do que aquele do garoto que despontava no Peixe seis anos atrás, e, é claro, não poderia ser diferente e é absolutamente natural.

O que não é natural, no entanto, é a sua postura quando o assunto é Seleção Brasileira. No escrete canarinho, Neymar parece um garoto que não amadureceu nada, e isso muito em função do tratamento que recebe.

(Foto: EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Enquanto no Barcelona, o craque é obrigado a seguir algumas recomendações e um padrão de comportamento (apesar de algumas vezes se envolver em polêmicas pontuais – nem sempre por sua culpa e mais por sensacionalismo da imprensa, provocações dos adversários ou diferenças culturais), na Seleção, ele é como uma entidade divina, que tem vontade e poderes absolutos.

Neymar, indiscutivelmente é o melhor jogador do futebol brasileiro na atualidade. Um craque diferenciado, que faz o que ninguém imagina e encanta com sua imensa qualidade e fonte inesgotável de recursos técnicos e improvisos. Ele joga o futebol bonito que tanto gostamos. Merece a camisa 10 e o posto de referência do futebol tupiniquim e estrela da Seleção. É o craque do time. No entanto, ele já provou incontáveis vezes que não merece a faixa de capitão que usa.

É muito bacana usar a “10 e a faixa” como os boleiros dizem. A sensação e a moral são legais, mas isso também significa uma responsabilidade maior, significa ser um líder. Um líder precisa comandar seus companheiros, como a palavra diz, liderar. Ele precisa estar na frente, defender e ajudar seus amigos, dar a cara para levar os tapas nos momentos necessários, falar em nome de todos, chamar a responsabilidade e lidar com a pressão e as cobranças.

(Foto: Celso Junior/Getty Images)

Neymar, porém, não faz nada disso e prova, nos Jogos Olímpicos – como já provou várias vezes em oportunidades anteriores -, que não tem maturidade nem perfil para ser capitão de uma equipe de futebol. Além de não “chamar a responsa” como deveria, o craque – que nitidamente está sem ritmo de jogo e atuando muito aquém do esperado contra equipes jovens menos experientes e qualificadas tecnicamente – não lidera seus companheiros, não acalma os garotos e não tem atitudes de um líder.

Após o empate com o Iraque, neste domingo (7), por exemplo, o camisa 10 passou pela zona mista sem dar entrevistas. Nos momentos de pressão, o craque e líder do time precisa dar a cara para levar os tapas e defender os companheiros e mais jovens, e não se esconder e deixar a tarefa para os outros. Neymar é o principal nome, capitão, craque, referência e também um dos três jogadores acima de 23 anos da Seleção Brasileira na Olimpíada. É lamentável a sua atitude.

Além de não falar em nome de todos e defender seus companheiros nos momentos de pressão, como um capitão faria, e colocar a responsabilidade e as cobranças nas costas e lidar com elas, Neymar não tranquiliza seus “parças” que são mais jovens e menos experientes que ele e, certamente, sentem mais o peso de tudo que está acontecendo. Para piorar, quem recebe ajuda é Neymar, com Renato Augusto indo conversar com ele no quarto para acalmá-lo e Micale o defendendo sempre nas entrevistas, quando deveria ser o contrário, afinal, o craque tem mais peso que os dois e é, além de principal nome da Seleção, o capitão, craque e referência.

​(Foto: EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Esse, aliás, é o grande problema. Neymar não tem atitudes nem maturidade nem perfil para ser capitão e o líder de uma equipe, mas continua usando a braçadeira na Seleção e fazendo o que bem entende, sendo sempre defendido por todos. Os treinadores anteriores da equipe principal nunca bateram de frente e sempre defenderam Neymar, mesmo com o craque estando errado. Os cartolas idem. A CBF deixa o camisa 10 fazer o que quer, do jeito que quer e na hora que quer. Ele tem regalias que ninguém tem, e nem é necessário explicar o quanto tudo isso é errado. Não à toa, ele tem o comportamento que vemos no escrete canarinho.

A CBF está criando um monstro, e isso precisa mudar. Não acredito que isso vai acontecer com Micale na Seleção Olímpica, mas precisa ocorrer com Tite na Seleção principal. A tarefa é dura e o treinador precisará bater de frente com o craque do time e fazer coisas com as quais o camisa 10 não está acostumado na equipe verde-amarela, mas isso precisa ser feito e Tite tem não só o tamanho, mas o respaldo necessário da imprensa e do povo para fazer o que é preciso, e (quero acreditar) acredito que até mesmo da própria entidade que comanda a bagunça no futebol brasileiro.

O técnico canarinho precisa tirar a braçadeira de capitão de Neymar e trabalhar para mudar seu comportamento e suas atitudes na Seleção, como o Barcelona faz. Ele é um craque, o grande nome do futebol brasileiro e precisa continuar sendo a referência e o camisa 10 do escrete verde-amarelo. É o nosso grande diferencial. No entanto, não pode ser capitão nem ter o comportamento e a liberdade que tem, com todos na CBF passando a mão na sua cabeça. Ele precisa amadurecer e mudar para ser não só um líder técnico, mas um líder de verdade, e para isso, será necessário que a CBF mude sua postura com ele e Tite intervenha.


Fonte: Goal.com

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