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Gomes vê loucura do United por Pogba e diz que Gabriel Jesus chegará ao City como 'jogador comum'

Há quase dez anos no futebol inglês, goleiro brasileiro é o braço direito de Walter Mazzarri no Watford



GOAL Por Bruno Andrade


Quase uma década no badalado futebol inglês não é para qualquer brasileiro. Depois de altos e baixos no Tottenham, entre 2008 e 2014, Gomes agora é a referência dentro e fora de campo do Watford, que retornou à elite na temporada passada. Aos 35 anos e inspirado na trajetória de sucesso de Van der Sar, o goleiro vislumbra “vida longa na Terra da Rainha” e, por isso, faz questão de debater com personalidade o poder econômico da Premier League.

Apesar de reconhecer que até mesmo os clubes medianos da Inglaterra têm capacidade para altos investimentos, o ex-jogador de Cruzeiro e PSV vê como “loucura” os mais de 100 milhões de euros gastos pelo Manchester United para tirar Pogba da Juventus. Uma transferência que, além de midiática, faz com que a promessa palmeirense Gabriel Jesus, que custou 32 milhões de euros ao Manchester City, seja visto inicialmente como um “jogador comum”.

Em entrevista ao Blog Ora Bolas, Gomes conta ainda detalhes do trabalho do italiano e “disciplinador” Walter Mazzarri, que assumiu o Watford nesta temporada, e também revela que iniciará nas próximas semanas o curso de treinador da Uefa.

Como tem visto os primeiros passos do Walter Mazzarri no Watford?
As expectativas são sempre muito boas quando acontece uma troca de treinador, o trabalho é ainda mais intenso, porque você não está acostumado aos novos métodos. A gente tinha um treinador espanhol (Quique Flores), aí vem um italiano com a cabeça totalmente diferente…

Quais diferenças?
Sistema. A gente jogava no 4-4-2, mas hoje o nosso sistema é o 3-5-2, com a possibilidade de um 4-3-3. Ele (Mazzarri) é um treinador muito experiente, um treinador que cobra bastante, gosta das coisas todas certinhas. Regras são regras. O que ele fala para seguir é preciso ser seguido. É um treinador muito disciplinador.

Você, até pela experiência, é um dos jogadores que têm ajudado o Mazzarri no início de trabalho?
De uns anos pra cá os treinadores já encostam um pouco mais em mim, sabem o tempo que tenho de Inglaterra, o tempo que eu estou na Europa. Ajudo dentro e fora de campo, até porque o sucesso dele é o nosso também. Quero muito poder ajudar.

Exercer a função de braço direito dos treinadores te inspira a seguir a profissão deles?
Quero estar preparado para isso, vou fazer o curso de treinador este ano da Uefa. Mas isso não significa que eu serei treinador, quero primeiramente agregar currículo. Tenho uma facilidade muito boa de lidar com pessoas, de entender os jogadores, mas não sei se eu serei treinador, não. É como eu sempre falo: “Esteja sempre preparado para as oportunidades”. Então, eu vou estar preparado se algum dia surgir essa oportunidade de ser treinador.

Conseguirá para fazer o curso paralelamente aos jogos?
Sim, aqui eles fazem muito isso, os jogadores têm liberdade para estudar. O sindicato dos jogadores encoraja os atletas a fazerem o curso.

É cedo dizer que Watford será o seu último clube como jogador profissional?
Enquanto estiver motivado, eu vou seguir, entendeu? Estou com 35 anos de idade, essa foi a idade que o Van der Sar chegou ao Manchester United. Não estou falando que eu vou chegar lá, mas vai depender da minha motivação do dia a dia. E eu estou muito motivado, quero seguir trabalhando, jogando… Ainda tenho mais dois anos de contrato (até 2018). Aliás, tive a possibilidade de renovar por mais uma temporada no Watford, mas não quis. Quero esperar um pouco mais para ver como que eu vou estar no final destes dois anos. O importante é começar uma temporada querendo sempre ser o melhor da competição, sempre fui assim.

O Watford pode seguir os passos do Leicester?
Brigar pelo título? O que aconteceu com o Leicester não é algo que acontece todos os anos, mas o Watford vai brigar para conseguir a melhor posição possível. Hoje, nós não pensamos mais “será que vai dar?”, hoje nós somos uma realidade. O time foi bem na temporada passada e a diretoria é muito ambiciosa. O campeonato inglês é muito competitivo, onde mesmo os menores times têm grandes possibilidade, tanto que você vê grandes contratações das equipes consideradas pequenas. Os valores das transferências são altos, tudo isso por causa das cotas de televisão, do marketing, da organização…

O futebol inglês tem dinheiro, é verdade, mas as grandes contratações não te assustam? Pogba por mais de 100 milhões de euros… Não é loucura?
Acho que sim, mesmo que os clubes tenham possibilidade de investir pesado. O Manchester United pode contratar qualquer jogador por qualquer valor, mas acho que [o Pogba] saiu um pouco da realidade daquilo que é o futebol. Mas o futebol inglês é assim mesmo…

Mas isso é bom ou ruim?
Depende. O lado positivo é saber que o futebol ainda tem organização o suficiente para poder cobrir valores extraordinários. Mas talvez um pouco negativo em relação às outras equipes, que talvez tentam manter os valores mais baixos possíveis para fazer o futebol realmente com consciência, sem depender tanto do dinheiro. A Inglaterra chegou num patamar que qualquer jogador, mesmo que não seja um dos melhores do mundo, está valendo 50 ou 60 milhões de euros. As equipes de outros países olham isso e dificultam novos negócios, elevam os valores, isso porque sabem que os clubes ingleses podem pagar caro. 

O Brasil, por exemplo, não sabe vender?
A Juventus não precisava vender o Pogba, financeiramente falando. O Palmeiras, por exemplo, precisava vender o Gabriel Jesus. Os clubes brasileiros, às vezes, são obrigados a vender por qualquer valor, porque não existe organização, não existe uma divisão justa de cotas de televisão, marketing… O Brasil ainda não tem um futebol enxuto em termos financeiros.

Como vê a contratação do Gabriel Jesus pelo Manchester City?
Ele chegará como um jogador comum. Ele chegará como um jogador comum, só que com a possibilidade de ser o maior talento. Hoje, no futebol inglês, jogador deste preço (32 milhões de euros) não é mais tão bajulado como antes.


Fonte: Goal.com

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