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José Luiz Delgado: Sobre a faculdade

Por José Luiz Delgado

Professor de direito da UFPE

A ideia foi de Maria José de Matos Luna, então diretora da Editora da Universidade: que eu reunisse em livro meus trabalhos sobre a Faculdade. Fui ver: eram muitos. Primeiro, um estudo de certa dimensão, de 1996, quando a UFPE chegava aos 50 anos e os editores de sua revista, “Estudos Universitários”, projetaram uma edição especial comemorativa. Pediram textos específicos aos ex-reitores e a professores das unidades universitárias mais antigas. Pela Faculdade de Direito, fui designado eu. E me meti numa pesquisa da qual resultou um texto alentado, sobre a FDR nos primeiros 50 anos da Universidade.

Antes, na ocasião do sesquicentenário da Faculdade, em 1977 e 1978, havia eu escrito artigos de maior dimensão, dedicados a Clóvis Bevilacqua, o maior vulto de sua história. E havia umas conferencias (cinco) e um depoimento: discursos em ocasiões solenes (títulos de Professor Emérito a Otávio Lobo e a Bernadete Pedrosa; Medalha do Mérito a Palhares Moreira Reis; homenagens a Murilo Guimarães e a Torquato Castro) e um depoimento para uma edição em lembrança de Mário Baptista. (Durante a preparação do livro, uma sexta conferencia: discurso, em Caruaru, no centenário de Lourival Vilanova). 

A esses textos juntei artigos de menor tamanho, que, a vários pretextos, andei publicando sobre professores da Faculdade – muitos dos quais foram meus professores, e a quem quero ser imensamente grato, e outros que foram meus colegas de magistério. Afinal, fui testemunha e vivi o que bem pode ser considerado um período de ouro na Faculdade – aquele da segunda metade do século XX, a Faculdade em que tive a sorte de estudar e em cujos quadros docentes tive a honra de ingressar. Inédito no livro, escritas especificamente para ele, há somente uma dezena de páginas a respeito de colegas de magistério, alguns já aposentados, outros ainda na ativa, sobre os quais eu nada havia publicado antes, mas que seria sumamente injusto esquecer.

 

Tal, o plano do livro que, com prefácio do Reitor Anísio Brasileiro, foi lançado quinta-feira passada, nas comemorações do 11 de agosto: 70 anos da Universidade e 189 anos da Faculdade de Direito. Não é propriamente a história da Faculdade, nem mesmo a dos seus últimos 50 anos. Também não é (ainda) meu livro de memórias sobre a Faculdade. O título, “A casa de Clóvis e de Andrade Bezerra”, dá uma ideia de como vejo a Casa, como a gostava de chamar Rui Antunes. Casa do realismo e da moderação (Clóvis, o codificador do direito civil nacional), e casa (Andrade Bezerra) de uma corrente de pensamento, a jusnaturalista, que nunca desapareceu (e não desaparecerá) do mundo do pensamento e do mundo do Direito.


Fonte: Diário de Pernambuco

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