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Léo Fontes: Por que o trabalho de Bauza foi bom no São Paulo

Opinião: técnico argentino se despede com números ruins, mas o resgate do orgulho tricolor e da alma em campo é um grande legado

O retrospecto em números não é bom. Foram 18 vitórias, 13 empates e 17 derrotas, o que resulta no aproveitamento de 46,52%, baixo para uma equipe grande como o São Paulo e que jogou vários desses jogos pelo Estadual, contra times sem divisão. Dentro de campo, o futebol nunca foi bonito – exceto por alguns jogos, como contra o Toluca, pelas oitavas de final da Libertadores. Como então considerar o trabalho de Patón bom à frente do time?

Primeiro temos que entender o momento que vive o clube. Depois de uma manobra estatutária e de passar o último mandato muito doente, Juvenal Juvêncio perdeu o comando da instituição. Com o enfraquecimento do dirigente, uma oposição, sempre sufocada por Juvenal, cresceu e dividiu o clube. O até então “soberano” passou a viver os problemas de outros clubes grandes. Vazamentos de informações negativas como dívidas com bancos e com o elenco e brigas internas passaram a figurar nas páginas da imprensa. Isso atrapalha qualquer time.

(Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Vieram as eleições e Carlos Miguel Aidar, apoiado por Juvenal, venceu. Aidar mostrou extrema inabilidade no comando, passou a mudar tudo que havia no clube para o seu modo, encontrou resistência do próprio Juvenal. Houve então a briga entre os dois e Juvenal foi escorraçado para Cotia, isolado pelo presidente que ele havia empossado e apoiado. Pegou mal. Aidar perdeu apoio, se perdeu em seu próprio ego e passou a gastar mais do que deveria em contratações que até hoje não foram justificadas, como Wesley e Alan Kardec. Por birra com o Palmeiras, jogou o nome do clube na lama, confundiu ser presidente com ser dono do clube. Isolado, se desentendeu com o último que lhe apoiava, uma briga feia, uma gravação e Aidar renunciou para não ser impedido.

Leco assumiu um clube endividado, politicamente dividido, totalmente sem rumo. Como por milagre o Tricolor conseguiu a classificação para Libertadores 2016 – ficou em quarto no Brasileirão. E aí entra a contratação de Bauza e o porquê do seu bom trabalho no Morumbi.

Sem dinheiro, com poucos jogadores e sem perspectiva. Esse era o cenário para 2016. Dos brasileiros na Libertadores, o time do Morumbi certamente era o menos favorito. Expectativa é tudo na vida, já tratei dessa questão aqui em outras colunas. Expectativa alta: chance grande de frustração. Expectativa baixa: chance enorme de sucesso. Quem não espera nada se contenta com pouco; quem espera o topo, não se contenta com o segundo lugar. Simples.


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Bauza fez o que pode. Ao priorizar a Libertadores, abandonou o Paulista, e a campanha foi ruim. Eliminado pelo Audax sem dó nem piedade. A queda não afetou o torcedor que confiava ao mesmo tempo na campanha da Libertadores. Enquanto perdia para o Audax, empatava em um jogo heroico na altitude, contra o The Stronguest – jogo que mudou o rumo da passagem do treinador argentino. O torcedor viu naquela partida o que não via há muito tempo. Um time com alma, um time que lutava e não saiu da Bolívia com a eliminação esperada. Aquela partida resgatou o orgulho do são paulino.

A partir disso, vieram as fases eliminatórias e o São Paulo foi passando, ignorando as dificuldades, o time fraco e o elenco pequeno. Mas a sorte que também acompanhava o trabalho de Patón resolveu mudar de lado: perdeu Ganso e Kelvin machucados e o símbolo do time (Maicon) foi expulso na hora decisiva. Acabava o sonho da Libertadores, mas o serviço principal foi feito. O resgate do orgulho tricolor, o resgate da alma em campo. 


Fonte: Goal.com

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