Últimas

O pai que amaldiçoou um ditador para defender o mausoléu do filho

Conheça a história de Florin Piturca, que não era craque, mas virou estátua pelo incrível amor que o seu pai sentia


GOAL Por Tauan Ambrosio 


As pessoas se apaixonam pelo futebol por diversas razões, mas o tal do “amor passado de pai para filho” é tão presente que se tornou um dos grandes clichês do Esporte Bretão. Em qualquer lugar do mundo, o progenitor apaixonado pela bola tenta passar para a sua cria o amor por certas cores, determinados cânticos e um só escudo.

Cada um com a sua história, o seu time e sua realidade. E neste Dia dos Pais (14/08/2016), vamos contar um episódio que, apesar de triste, é um exemplo muito bonito do laço de amor que une pais e filhos. Mesmo depois da morte.

Aconteceu na Romênia, em 1978. Florin Piturca tinha 27 anos e, apesar de não ter a mesma habilidade de seu primo – Victor Piturca, campeão europeu com o Steaua Bucareste em 1986 e atual técnico da seleção nacional -, era um atacante respeitado no Drobeta Turnu Severin, da segunda divisão.

Atual treinador da Seleção Romena, Victor Piturca teve mais sucesso do que o primo Florin (Foto: yasin)

Florin havia sido o herói da vitória por 2 a 1 sobre o Metalul de Bucareste. Estava pronto para tomar o caminho de casa. Só que, no lugar da felicidade, veio o susto por um súbito mal-estar. O atacante avisou a sua esposa que não estava bem, entrou no banheiro e quando foi encontrado já havia falecido.

O trauma familiar foi enorme. Principalmente para o seu pai, Maximilian, que juntou as economias conquistadas como sapateiro para mandar construir um monumento em homenagem ao filho. O melhor atacante que o mundo já conheceu, deveria acreditar Maximilian (como todo pai coruja), merecia ser eternizado no cemitério Dorobantia, em Craiova.

Uma estátua de bronze, em tamanho real, foi erguida. Nela, Florin ganhava a sua imortalidade. Parecia tão vivo que poderia até mesmo usar o pé direito para chutar a bola, também esculpida em bronze e que passou a ser constantemente roubada por vândalos locais. De luto eterno, Maximilian não parou por aí. Apesar de seguir casado, saía do trabalho todas as noites para dormir no mausoléu do filho.

Só que Maximilian e sua esposa, Vasilica, também estavam lutando para descobrir quais motivos levaram aquele esportista à morte. Como lhes negaram a autópsia, buscaram informações com outros jogadores do Drobeta. E descobriram que toda a equipe foi obrigada a beber um chá no intervalo da fatídica partida contra o Metalul.


GOALVEJA TAMBÉM: GOAL
Revelações de Pepe sobre Pep… Guardiola | Tudo sobre futebol europeu | Previsões Premier League


É lógico que a teoria ficou centrada na presença de alguma substância ilegal no chá. Até porque naquela época, Nicolae Ceaușescu, o então líder político da Romênia, estava desesperado para melhorar o desempenho de seus esportistas. A qualquer custo. Por isso, estimulou o teste de substâncias em atletas que não estavam no radar. A segunda divisão do futebol apresentaria boas ‘cobaias’.

Maximilian e Vasilica nunca perdoaram o ditador. E a história sobre a morte de Florin foi passando de boca a boca. Chegou a tal ponto, que em visita ao local, em 1989, a filha de Ceaușescu, Zoia, se incomodou com a simples presença da estátua de Florin. Deu ordens para que derrubassem a tumba.

Foi naquele exato momento que Maximilian saiu de dentro do mausoléu. Destemido, chacoalhava o punho em direção à filha do ditador. E amaldiçoou a família de Zoia: “Daqui um ano eu estarei de volta e vocês estarão mortos”. Só que na terra que inspirou a história de Conde Drácula, e na qual vampiros fazem parte do folclore local há séculos, é bom acreditar e se proteger de qualquer tipo de maldição.

Meses após a ‘maldição’ de Maximilian, Ceaușescu foi capturado e morto (Foto: Getty Images)

Nove meses depois de ter amaldiçoado a família Ceaușescu, o ditador foi capturado, julgado e executado por vários crimes. No ano seguinte, a estátua e o mausoléu de Florin Piturca voltavam a se erguer. E Maximilian seguiu passando as suas noites lá, o mais perto que podia de seu filho. Mas Piturca não podia voltar.

Talvez por isso, momentos antes de sua morte, em 1994, Maximilian não demonstrou muita tristeza. Pelo contrário. Segundo relatos de pessoas próximas, o semblante mostrava até mesmo um certo alívio: “Há muito tempo espero esse momento. Estou muito feliz, pois em pouco tempo vou reencontrar o meu filho”. Palavras ditas no mesmo local onde passou as noites nos 16 anos anteriores. Um local de luto, mas que ainda é prova viva de um grande amor. 


Fonte: Goal.com

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook