Pés no chão ou o incrível bicampeonato? O que esperar do Leicester na Premier League

Atuais campeões, Foxes começam a caminhada na nova temporada do Campeonato Inglês como uma das incógnitas da competição

O Leicester escreveu uma história inspiradora e magnífica na última temporada com o extraordinário, inesperado e inesquecível título da Premier League e a vaga na Uefa Champions League. No entanto, agora, três meses depois do épico, a pergunta é: os Foxes vão repetir a dose, pelo menos fazer um bom papel no Campeonato Inglês ou voltarão a brigar contra o rebaixamento? Para o técnico Claudio Ranieri, a última opção é a resposta, e o objetivo do time é fazer os 40 pontos que, na teoria, evitam a queda para a Championship.


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Na última temporada, o italiano adotou o mesmo discurso quando perguntado sobre o Leicester estar brigando pelo título, sempre optando por tirar o peso e o favoritismo das costas de sua equipe. O treinador repete a estratégia agora, mas na realidade, o clube tem tudo para, pelo menos, fazer uma boa temporada na Premier League.

(Foto: Getty Images)

Isso porque o Leicester foi muito bem na janela de transferências. N’Golo Kanté fará falta, é claro. O volante era peça fundamental no meio-campo, liderando a equipe e a própria Premier League em desarmes e roubadas de bola, sendo vital defensivamente, como um verdadeiro motorzinho, correndo por todas as partes do campo, sempre fazendo bem a cobertura, salvando a equipe na retaguarda e ainda iniciando bem as jogadas ofensivas e a transição defesa-ataque com bons passes, além de sempre dar opção aos companheiros. O francês é um ótimo jogador, não à toa foi contratado pelo Chelsea, no entanto, apesar de perdê-lo, os Foxes podem se sair muito bem.

Kanté, afinal, foi a única baixa no time de Ranieri. O Leicester manteve todo o resto do time titular: o excelente goleiro Schmeichel, os zagueiros Huth e Morgan, os laterais Simpson e Fuchs, os bons meio-campistas Albrighton e Drinkwater, os ótimos atacantes Ulloa (este reserva, mas sempre utilizado) e Okazaki, e Mahrez e Vardy, os grandes nomes da conquista histórica.

(Foto: PROSHOTS)

Além do bom time, que tem moral, confiança e já está muito entrosado e ciente do que deve fazer, e a manutenção do comandante Claudio Ranieri, o Leicester se reforçou bem e de forma pontual, sem gastar muito. Entre os reforços, destaque para Ron-Robert Zieler, Nampalys Mendy e Ahmed Musa. O primeiro é um ótimo goleiro alemão, que chega para fazer sombra para Schmeichel, o segundo é um volante francês que chega para substituir Kanté, enquanto o terceiro é um excelente atacante nigeriano.

Mendy e Musa, especificamente, são excelentes reforços. Zieler é um baita goleiro e um reforço necessário em uma longa temporada – é sempre bom contar com dois jogadores de alto nível em cada posição -, mas só deve jogar caso Schmeichel, excelente arqueiro, um dos melhores da última temporada da Premier League e vital no título histórico, se contunda. Mendy e Musa, por outro lado, devem atuar bastante.

(Foto: Getty Images)

O volante francês, de 24 anos, é uma tentativa de ter um “novo Kanté”. Além da mesma nacionalidade, Mendy é muito parecido com Kanté em vários aspectos. Ambos tem o mesmo porte físico, praticamente a mesma altura (1,68m do meio-campista do Leicester contra 1,69m do novo volante do Chelsea) e um estilo de jogo parecido. Revelado no Monaco, Mendy, que jogou as últimas três temporadas no Nice – que foi muito bem na última Ligue 1, terminando no quarto lugar -, é bom jogador, ótimo nos desarmes e roubadas de bola e se movimenta muito por todo o campo, dando opções de passe para os companheiros, além de ser muito bom nas coberturas. Resta ver, porém, se ele irá se provar na Premier League.

Musa, por sua vez, foi muito bem na pré-temporada e já vinha se destacando há alguns anos. Ele apareceu para o futebol europeu pela primeira vez no VVV-Venlo que surpreendeu o futebol holandês tendo Keisuke Honda como sensação em 2010. Depois, assim como o meia japonês, foi para o CSKA Moscow, onde se saiu bem nos últimos quatro anos. Musa é um atacante de muita velocidade e habilidade, que atua pelos flancos ou atrás de um centroavante. Ele se encaixa muito bem no estilo de jogo do Leicester e pode ser arma letal nos contra-ataques dos Foxes.

(Foto: Getty Images)

Além disso, um ponto interessante é o teste feito por Ranieri na pré-temporada. Ao invés de simplesmente colocar Mendy na vaga de Kanté, o italiano resolveu testar como o time ficaria com King, meia que participou de todo o caminho do Leicester entre a terceira divisão e o título da Premier League, passando também por uma decepção incrível na Championship antes do acesso. Com o camisa 10 na vaga do volante francês, os Foxes tiveram um estilo diferente. Ao invés da equipe defensiva, compacta, com muita força na sua retaguarda, que dava a posse de bola ao adversário, se fechava com duas linhas de quatro e jogava no erro do rival, saindo em rápidos contra-ataques, o time passou a ter mais a pelota e jogar agredindo mais o adversário.

Isso ficou muito claro, principalmente, no primeiro tempo da Supercopa da Inglaterra, quando o Leicester foi superior ao Manchester United e merecia ter ido para o intervalo com vantagem no placar, e não com uma derrota por 1 a 0 – com um gol em jogada individual de Lingard e falha defensiva dos Foxes. Na segunda etapa, porém, Ranieri optou por Mendy, e o time voltou ao estilo da temporada passada, o que rendeu no empate e em uma partida mais equilibrada, ainda que no fim, os Red Devils tenham vencido com o gol de Ibrahimovic.

(Foto: Getty Images)

O Leicester perdeu um jogador importantíssimo, mas manteve sua base e seus grandes destaques, além de fazer boas contratações. Ranieri tem mais opções em todos os sentidos, o time é muito bom, conta com ótimos jogadores, de bom nível, e o elenco é mais forte. Com a moral e confiança em alta, os Foxes têm condições de fazer um bom papel na Premier League, no entanto, é difícil falar se brigarão pelo título ou não. A tendência, com Manchester United e Manchester City mais fortes, o Chelsea que dificilmente irá decepcionante como na última temporada, o Tottenham também muito forte, um Liverpool melhor e mais poderoso e com Jürgen Klopp tendo mais tempo para trabalhar, e até mesmo o Arsenal que não fez muitas mudanças, além do fato de ter um calendário mais cheio, com a disputa da Uefa Champions League e, possivelmente mais lesões e desfalques no time titular, ao contrário de 2015/16, é que a equipe que surpreendeu o mundo não conquiste o bicampeonato. No entanto, é bom não duvidar do Leicester, que já provou ser capaz de desafiar o impossível.


Fonte: Goal.com

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