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PT no limite entre virar a página ou rabiscá-la

Dos cinco candidatos do PT no Nordeste, o ex-prefeito Jo
Dos cinco candidatos do PT no Nordeste, o ex-prefeito Joo Paulo a maior aposta da legenda. Foto: Ricardo Fernandes/DP

alinemoura.pe@dabr.com.br

O recomeço nunca é fácil. Para o PT, que deve ter a primeira mulher presidente cassada, no segundo processo de impeachment do país, mais difícil ainda. Este será um momento, portanto, de virar a página ou rabiscá-la. É por esse risco, exatamente, que o partido apostará alto nas eleições municipais, mesmo estando em desvantagem política. Das 26 capitais do país, a sigla lançará candidaturas próprias em 20 delas, cinco no Nordeste. A maioria dos nomes nunca exerceu o cargo no executivo municipal, sendo quatro delas mulheres.

A escolha dos nomes mostra que a estratégia petista foi traçada de duas formas, com informações extraoficiais de caciques petistas. O partido apostou nos veteranos que deixaram os cargos de prefeito com alta popularidade, como João Paulo, no Recife. E fechou apoio a candidaturas novas em cidades onde a presença petista pode crescer, como em Goiânia (GO), onde a delegada Adriana Accorsi, que tem um currículo distante de desgastes, mesmo depois de eleita deputada estadual, quer fazer história.   

Em 2016, o PT terá mais prefeituráveis do que em 2012 nas capitais, porém o desafio aumenta porque ele está mais isolado em quase metade dos municípios onde decidiu entrar no jogo. Na última eleição, a legenda saiu em raia própria em 17 capitais do país, três a menos que este ano, porém elegeu apenas quatro prefeitos, sendo o principal Fernando Haddad, de São Paulo, que concorre à reeleição. (Veja o quadro sobre a evolução).  

 

 (Foto: Ricardo Fernandes/DP)

O lado positivo desse isolamento é a possibilidade de o partido se reinventar e se aproximar dos antigos ideais, como acredita a candidata Dora Nascimento, que foi ex-vice-governadora do Amapá e hoje encabeça uma chapa em Macapá com o suporte de outra mulher como vice, Dayane Lima (PHS). O sentimento de Dora é compartilhado pelo postulante petista de Boa Vista (RR),  Roberto Ramos, ex-reitor da universidade de Roraima e cientista político respeitado.

Como se vê, há uma mescla do novo e da experiência para tentar resgatar a imagem do partido no pleito municipal, que também fará a defesa do projeto nacional, ressaltando as políticas públicas do PT que, para seus correligionários, estão sendo desmontadas pelo presidente interino Michel Temer (PMDB). Eles citam como exemplo o desvirtuamento do Programa Minha Casa Minha Vida, que abrirá crédito para compra de imóveis no valor de até R$ 3 milhões, quando antes só era possível atender à uma camada da população que tinha dificuldade financeira de ter uma casa própria.

 (Foto: Ricardo Fernandes/DP)

PT e PCdoB estarão juntos na disputa em sete capitais

Nesse período de articulações, os petistas receberam apoio do PCdoB, que se destacou na defesa de Dilma Rousseff no Congresso Nacional, em apenas sete capitais. Por outro lado, reaproximou-se do PSol, sigla criada em 2005, com os rebeldes do PT, durante no auge do Mensalão. Em duas capitais, por enquanto, PT e Psol sairão juntos. Em Palmas, os psolistas vão apoiar o deputado estadual Zé Roberto – funcionário de carreira do Ibama -, e no Rio Branco, participarão da aliança pela reeleição do prefeito Marcus Alexandre.  

No Recife, em Fortaleza, em Porto Alegre e em Porto Velho, nomes experientes na política, que já chegaram ao comando do executivo municipal, foram alçados como aposta por conseguirem pertencer ao PT e, ao mesmo tempo, terem a imagem acima do partido.

Na capital do estado pernambucano, por exemplo, o discurso de João Paulo será focado no resgate de políticas públicas que fizeram sucesso nos seus dois governos, tendo o desafio de apresentar o novo. Ao contrário dos adversários, que apostam na rejeição ao PT, ele acredita que esta será uma eleição atípica para todos os partidos, porque nenhum escapou das denúncias de corrupção. Seus aliados reforçam ainda que a sigla está unida, diferentemente do que aconteceu nos dois últimos anos. “Eu não tenho a bola de cristal de Daniel Coelho (deputado federal do PSDB e candidato a prefeito). Acho que ele deveria se preparar para o primeiro turno ao invés de ficar falando na rejeição do PT caso nosso nome chegue no segundo turno. Ele vai ter uma preferência por Geraldo Julio (PSB) no segundo turno?”, ironizou o petista, ao ser indagado sobre a análise feita por Daniel, de que o PT teria muita rejeição caso chegasse ao segundo turno e perderia.  

Os aliados de João Paulo, por sua vez, consideram que ele tem a capacidade de fazer política que transcende ao partido. Ressaltam, como exemplo, que o petista tinha alta rejeição de segmentos da indústria e da construção civil quando assumiu a prefeitura em 2001, mas abriu diálogo com esses setores, estimulando a redução de impostos e a elaborando a Lei dos 12 Bairros.

“Eu tenho dito que mais difícil do que ganhar a eleição é retomar o ritmo do Recife e recuperar a autoestima dos moradores. Ele (o prefeito) faz um discurso agora de esperança, mas, infelizmente, ele não fez nos últimos três anos e meio. Só falou em crise”, declarou, dizendo ter assumido uma gestão, em 2001, sem ficar no embate diário com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que era presidente da República.

O candidato a vice na chapa de João Paulo, Silvio Costa Filho (PRB), frisa que o prefeiturável tem a vantagem de juntar a experiência e de apresentar as propostas para o futuro da cidade ainda este mês. “Há uma crise de representatividade muito grande na política. Por isso, acredito que os eleitores vão votar muito mais nas pessoas do que nos partidos”, disse Silvio Filho, apostando nas nuvens da política, que mudam tanto quanto as do céu.  

 

 


Fonte: Diário de Pernambuco

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