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Raimundo Carrero: A influência na obra de Gilvan e dos criadores

Por Raimundo Carrero

Escritor e jornalista

É preciso destacar: Influência não é imitação. Há, claro, quem imite, mas não é sempre assim. A influência é um dos elementos que contribuem , definitivamente, para a formação do caráter criador do artista. Exerce sobre o criador uma força inquietante e maravilhosa de forma a indicar caminhos e situações, mas enriquece e engrandece, estabelece um pacto criador, mas não é imitativo, sobretudo quando se tem consciência dele. Um fenômeno importantíssimo. E inegável.

O crítico literário norte-americano Harold Bloom tem um livro definitivo sobre o assunto. Chama-se “ A Angústia da Influência” – que cito no meu livro “Os Segredos da Ficção” . Bloom defende a tese de que um artista sofre influência de outro artista nascendo daí, um novo artista. Do choque entre os dois, com predominância para o artista consagrado, o iniciante sente-se orientado e forte, com o seu próprio caráter predominando e a partindo para os seus próprios caminhos. O consagrado lhe ofereceu régua e compassado, cabe a ele, agora, traçar o seu destino.

Nenhum artista se livra das influências, nenhum. Tornou-se célebre em meados do século passado a polêmica entre o romancista católico Andre Mauriac e o filósofo Jean-Paul Sartre. Mauriac fez publicar artigo em jornais franceses  demonstrando que o artista não é criador porque precisa sempre da influência de outro. Para ele, somente Deus é criador porque parte do nada. Sartre respondeu que Mauriac não tinha razão e, por isso mesmo, não era romancista. Afinal, todos concordamos num ponto fundamental: Só Deus cria do nada.

Bloom demonstra que alguns artistas se angustiam com as influências e ficam inquietos, mas alerta que todos devem se acalmar porque é inevitável. Outros imitam, simplesmente imitam. Deformam e exageram. Mas aí é imitação. Aqueles que imitam, quando corretos, entram neste processo de angústia até quase ao desespero. Mesmo assim, a angústia pode criar m novo artista e, portanto, um novo estilo. A angústia não é de todo má quando joga o artista para o alto, para uma criação própria. Basta- como se fosse fácil – descobrir  os seus caminhos criadores e inovadores. A sua identidade de artista.

Tudo isso para responder às pessoas que me criticaram por e-mail, por telefone, ou pessoalmente, porque escrevi sobre as influências de Gilvan Lemos. Nunca disse que Gilvan é imitador, jamais. Se não sofre influência, então é Deus. E nós somos apenas pobres e humildes mortais, com pretensão a criadores. Ás vezes somos mais pretensiosos, do que criadores.


Fonte: Diário de Pernambuco

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