Últimas

Ricardo Correia de Carvalho: Do outro lado

Por Ricardo Correia de Carvalho

Secretário de Assuntos Jurídicos e procurador geral do Recife

Incentivado a escrever sobre minha atual experiência no serviço público, como secretário de Assuntos Jurídicos e procurador geral do Recife, onde, a partir de janeiro de 2013, tive que me afastar da minha banca de advocacia e passar a exercer a atividade pública. Acredito que a transformação do serviço público exige o contributo de todos nós, e foi com esse sentimento que aceitei o convite do prefeito Geraldo Julio. Confesso que o choque de realidade entre a atividade pública e a privada é grande. 

Nesta, as decisões são tomadas e executadas de imediato, com um resultado muito mais rápido do que naquela, onde o grande desafio do gestor público é conseguir movimentar a máquina pública a tempo de atender as necessidades da cidade. E o esforço não é pequeno. A isso se some o fato de que a repartição do bolo tributário é extremamente injusta, com os governadores e prefeitos tendo de se socorrer do governo federal para a execução de obras e serviços que exijam um pouco mais de recursos (a União, via de regra, fica com quase 65% da arrecadação). 

Com o apoio e incentivo do nosso prefeito, maior defensor da excelência no serviço público, e ao lado de servidores vocacionados, como são os procuradores municipais, demos início a uma reestruturação da Secretaria e da Procuradoria, tendo como ponto de partida um amplo diagnóstico ainda em 2013 e a firme convicção de que não dava para administrar mais de 700 mil processos judiciais sem sequer um sistema interno de controle processual, um simples software que fosse e que todo recém-formado adquire no início da carreira. 

Naquele ano cheguei a ouvir de alguns que não tinha como mudar, que as coisas sempre funcionaram daquele jeito, e respondia que no dia em que aceitasse aquela colocação pediria as “contas ao chefe” e voltaria para o meu escritório, pois nada mais teria a contribuir com o Recife. Focamos na melhoria das condições de trabalho como condição primeira para cobrar resultados. Com a aquisição de mesas, cadeiras e mais de 220 computadores para que todos pudessem sentar e trabalhar, implantamos um software de gestão processual utilizado pelas mais modernas procuradorias do país, compatível com o PJe e com certificação digital, onde se pode ter, através do site da prefeitura, o atesto da autenticidade dos pareceres e documentos produzidos. 

A implantação da central de digitalização de todos os processos que tramitam na Secretaria e na Procuradoria fecharam esse primeiro ciclo de reformulação da gestão dos processos internos e externos, já tendo alcançado mais de 1 milhão  e 600 mil documentos digitalizados.  Com a possibilidade de gerar os mais diversos relatórios gerenciais, e entregando aos servidores e procuradores um melhor ambiente de trabalho, inclusive com a mudança da sede da Procuradoria da Fazenda, finalizamos a implantação do núcleo de inteligência da Procuradoria. 

Os resultados dos investimentos no serviço público não tardaram a aparecer. De uma arrecadação histórica que girava entre R$ 60 a R$ 70 milhões/ano da Procuradoria da Fazenda, saltamos em 2014 para R$ 124,7 milhões e em 2015 para R$ 153 milhões. Investimos no diálogo com o contribuinte e apertamos aqueles que vinham se financiando durante anos às custas do recifense. Mas se esses resultados são, a princípio, da “porta pra dentro”, mais gratificante ainda é vê-los transformados em melhorias diretas para a população. A construção de um novo padrão de escolas, inclusive com ar-condicionados nas salas de aula, incentivo ao estudo de novas fronteiras, com nossos jovens sendo campeões em robótica, de novas creches, upinhas, Compaz, Hospital da Mulher, Academia Recife, e tantos outros serviços e equipamentos públicos nos levam a uma única resposta: sim, vale a pena se doar ao nosso Recife. 


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook