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Rio 2016: Lea T sobre participação na abertura da Olimpíada: 'Chorei muito'

Lea T (Foto: Roberto Teixeira / EGO)Lea T (Foto: Roberto Teixeira / EGO)

Lea T fez história ao subir na bicicleta e apresentar a delegação brasileira na entrada ao gramado do Maracanã, durante a cerimônia de abertura da Olimpíada Rio 2016, na sexta-feira, 5. Bem-sucedida, rosto de grifes internacionais como a Givenchy e filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, a modelo foi a primeira transexual a ganhar destaque na história dos Jogos Olímpicos.

Menos de uma semana após o evento, Lea diz que só agora a ficha caiu. “No dia é tudo muito corrido, tem muita pressão, você não consegue parar realmente para refletir, você só fica preocupada em fazer direito a sua parte e torcendo para dar tudo certo. A ficha caiu no dia seguinte quando eu consegui assistir tudo direitinho”, disse ela, que disse ter cometido um pequeno errinho em sua participação. “Na hora de pedalar, fui rápida demais. Quando você entra no estádio, são muitas luzes e você fica prestando atenção no ponto que fica no ouvido para ouvir as instruções. Depois, quando vi que tinha acelerado, fiquei chateada, pensei ‘ai, errei o tempo’, fiquei com medo de ter estragado as coisas planejadas, sabe? Mas acho que deu tudo certo”, continuou.

Segundo ela, sua reação mais forte foi antes da cerimônia em si, no dia do ensaio. “Moro em um parque natural, na Chapada dos Veadeiros, lá a gente acredita em permacultura, na plantação, no reflorestamento, e achei muito lindo eles terem aberto espaço na cerimônia para falar sobre esses assuntos, que são temas muito importantes para mim. No ensaio, quando vi isso tudo, chorei muito, fiquei muito emocionada e muito lisonjeada de fazer parte disso, é uma sensação de gratidão”, contou.

Outro ponto que fez diferença na sua reação foi a relação com o pai, o ex-jogador Toninho Cerezo, que foi ao Maracanã prestigiar a filha. “Antes de entrar no gramado, me emocionei por entrar em um lugar onde meu pai já tinha jogado, um lugar onde outra pessoa do meu sangue já havia posto os pés. Pensei, ‘meu pai já esteve aqui e agora quem está aqui sou eu’. Quem diria que um dia eu iria pisar nesse estádio”, refletiu.

O pai, segundo ela, ficou orgulhoso. “Ainda não consegui encontrá-lo porque no dia seguinte eu viajei cedinho e ele teve um outro compromisso de trabalho também, mas ele me mandou uma mensagem linda e meu irmão, que estava do lado dele assistindo, disse que ele morreu de orgulho”, contou.

Apesar da importância de sua participação no evento, Lea mantém a humildade. “Não quero pensar que fiz história porque acho que não mudei nada. Vejo que a vida de outras meninas é tão mais puxada, elas enfrentam situações tão mais duras que as que eu enfrento, e ainda assim elas seguem em frente, lutando e batalhando, que acho que a gente tem que levantar a bandeira é dessas meninas, elas é que fazem a história, elas é que são as guerreiras. Eu simplesmente representei”, afirma.

Lea T na cerimônia de abertura da Olimpíada Rio 2016 (Foto: Getty Images)Lea T na cerimônia de abertura da Olimpíada Rio 2016 (Foto: Getty Images)

Fonte: Ego.globo.com

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