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Roberto Pereira: Marco Maciel, 50 anos de vida pública

Por Roberto Pereira

Ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco

O que dizer, neste Brasil, de um político ao clima dos seus cinquenta anos de vida pública? De Marco Maciel, o que todos conhecem e reconhecem: um sacerdote a serviço do bem comum. Homem probo, de quem nunca ninguém ousou, nem mesmo nos arroubos das campanhas eleitorais, insinuar partisse dele qualquer ato ilícito, qualquer gesto grotesco, um deslize que fosse na sua conduta de cidadão, sendo um ser humano que nunca se exauriu na prática do bem.

Estamos falando de uma pessoa solidária e elegante na forma de conviver, até mesmo com os contrários e divergentes. Que fez da pernambucanidade a sua obstinação de vida, a ponto de encontrar, à semelhança de Joaquim Nabuco, no “arrocho do berço”, a sua inspiração, conforme gosta de repetir.

Celebrar essas Bodas de Ouro é transmitir às pessoas, em especial às novas gerações, lições de amor às causas sociais, à sua gente e à sua cidade. “A pátria começa na terra onde se nasce”, gosta de exaltar Maciel numa exortação ao seu chão-pátrio. Pernambuco sempre foi a sua obsessão.

Secretário de Governo, depois deputado estadual, deputado federal, presidente da Câmara Federal, senador, governador, ministro de Estado, vice-presidente da República, na chapa do presidente Fernando Henrique Cardoso, em dois mandatos consecutivos, tendo merecido de FHC, no seu livro de memórias, inúmeras referências, num relevo à sua ética, fidelidade somente existente nas pessoas de ilibada conduta.

Ressalte-se que, nos oito anos de mandato de vice-presidente, ocupou a Presidência da República por 85 vezes, perfazendo 339 dias, tendo mais uma vez pautado essa sua interinidade por ações pró-ativas, mas todas em sintonia com o programa de trabalho traçado pelo governo federal e de absoluta fidelidade à figura do presidente FHC.

Nesta sua exitosa trajetória, tantas as iniciativas nas esferas do parlamento, mas, quando governador, inovou com uma gestão eficiente, moderna, que, abraçando o lema “Desenvolvimento com Participação”, soube pautar a sua gestão sob o manto de um slogan que, menos uma frase de efeito, era uma convocação do líder à sua valorosa equipe de secretários, à frente, na Casa Civil, a professora  Margarida Cantarelli, avultando, na gestão municipal, Gustavo Krause, um dos maiores prefeitos do Recife.

O seu governo foi marcante no desenvolvimento econômico-social do nosso estado. Empreendeu o mais arrojado programa habitacional com a construção de 100 mil casas, priorizando a educação, cultura e turismo, a saúde, o saneamento, água para o sertanejo, haja vista o Projeto Asa Branca, tendo dado início concretamente à implantação do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Quando vice-presidente, trouxe para Pernambuco a expansão do Metrô do Recife, altos investimentos à ampliação do Aeroporto dos Guararapes, na BR-101 Sul, a duplicação do trecho Prazeres/Cabo, a construção do gasoduto Pilar-Cabo, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, esta uma ação muito do seu empenho, quase diria da sua religiosidade católica. Partiu dele o Centro Regional de Ciências Nucleares, pioneiro no Nordeste, o primeiro Centro de Desenvolvimento tecnológico na área de Ciência Nuclear.

Muito me orgulho de ter sido seu assessor nos seus dois mandatos de vice-presidente, quando testemunhei, de perto, o homem e o político, o gestor zeloso dos seus atos, o seu amor à família, aos pais, à esposa Anna Maria, aos filhos e aos netos. Enfim, a sua permanente dedicação às coisas e às causas de Pernambuco, repito, sua obsessão, a sua pátria, o seu idealismo, a sua provisão de fé.


Fonte: Diário de Pernambuco

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