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Sem o seu melhor jogador nos Jogos Olímpicos, Brasil precisa fazer o que ainda não conseguiu

No meio da completa decepção que é a Seleção de Micale, Thiago Maia é o ponto fora da curva, mas desfalca a equipe contra a Dinamarca

O Brasil entra em campo na noite desta quarta-feira (10), na Arena Fonte Nova, às 22h (de Brasília) precisando fazer o que não fez nesta edição dos Jogos Olímpicos para manter vivo o sonho do ouro inédito: vencer. Um empate, dependendo da combinação de resultados, pode classificar a Seleção, mas ninguém quer ver mais uma igualdade decepcionante e a vitória garante a classificação à fase final.


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A Dinamarca tem um time superior a África do Sul e ao Iraque, mas é inferior ao Brasil, que mesmo com todos os problemas, tem totais condições de triunfar na Bahia. No entanto, a Seleção de Micale precisará vencer sem o seu melhor jogador nos Jogos Olímpicos.

Estou me referindo a Thiago Maia, que no meio da completa decepção, tem sido o ponto fora da curva. O meio-campista, que não atuará nesta noite por estar suspenso, foi o jogador mais lúcido da Seleção nas primeiras duas rodadas e teve boas atuações. Bem posicionado, ele foi vital na marcação e ainda apareceu no ataque. Contra a África do Sul, o volante acertou 91,4% de seus passes e foi o segundo jogador que mais tocou na bola durante a partida (88, atrás apenas de Neymar, com 101), além de ser o líder do jogo em roubadas de bola (15), desarmar os rivais quatro vezes e só perder a posse de bola em nove oportunidades.

(Foto: Lucas Figueiredo/MoWA Press)

Depois, contra o Iraque, ele novamente se salvou, apesar do vexame coletivo. Foi o jogador que mais tocou na bola e deu passes em campo (97 e 87, respectivamente, com 90,8% de aproveitamento), além de desarmar os rivais duas vezes e roubar a pelota em seis oportunidades. O volante só perdeu a posse de bola 11 vezes e ainda apareceu no ataque com uma finalização e se movimentando bem.

Thiago Maia, porém, é um ponto fora da curva, já que o Brasil tem sido uma completa bagunça. Parece um amontoado de jogadores, e não um time. Não tem padrão de jogo, nem sistema e organização. A “equipe” dá muitos espaços aos adversários, joga com as linhas distantes e sem diálogos e aproximação entre os setores. Existe um bloco defensivo e outro ofensivo, enquanto o meio-campo inexiste, assim como a “ligação” de jogo.

A Seleção sofre sem um armador, Felipe Anderson está irreconhecível, Renato Augusto tem posicionamento confuso e as substituições parecem ser sempre as mesmas. O escrete verde-amarelo fica com uma infinidade de atacantes e sem meias. E sem criatividade, armação e organização, o time de Micale se tornou refém de jogadas individuais. Gabigol, Gabriel Jesus e Neymar, sempre que recebem a bola, tentam acelerar os lances e partir para cima dos adversários. Poucas jogadas são mais trabalhadas e, em 180 minutos de futebol contra Iraque e África do Sul, os garotos tupiniquins não conseguiram marcar um gol sequer e poucas das chances criadas foram realmente claras.

A pressão e o nervosismo não podem ser desculpas, e o Brasil também insiste nos seus erros. Está tudo errado e o desempenho, além de decepcionante, é revoltante. Neymar e Rafinha sofrem com a falta de ritmo, é verdade, mas é inaceitável que um dos melhores jogadores do mundo não consiga jogar bem contra adversários mais jovens, menos experientes e qualificados tecnicamente – isso sem falar na sua postura e nas atitudes inaceitáveis.

O Brasil tem o melhor elenco dos Jogos Olímpicos. Nenhuma seleção convocou seu melhor jogador e tem um dos melhores do mundo. A Seleção de Micale, além de ter isso em Neymar, tem atletas que atuam nos melhores times da Europa – sendo titulares muitas vezes como é o caso de Marquinhos e Felipe Anderson (Rafinha, que sofreu com as lesões, é outro caso, mas tem moral no Barcelona) – e garotos que são titulares e peças importantes em grandes clubes brasileiros, sem contar com Gabriel Jesus, Gabigol e Luan, que já são as referências de suas equipes, estão na mira de gigantes europeus (o avante do Palmeiras vai jogar no Manchester City) e são o futuro do futebol brasileiro. Nenhum time que disputa a Olimpíada tem um elenco tão rico. O desempenho é inaceitável.

Ainda assim, mesmo em baixa, o Brasil pode e tem condições de dar a volta por cima, quem sabe conquistar o inédito ouro olímpico. Jogadores e qualidade para isso existem. No entanto, é necessário transformar o amontoado de atletas em um time, ter organização, padrão e eficiência, corrigir os problemas já mencionados e ganhar confiança, e isso precisa começar nesta quarta-feira (10), sem Thiago Maia, contra a Dinamarca.


Fonte: Goal.com

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