Tentar não é o bastante, Neymar!

Opinião: na estreia da Seleção na Olimpíada, o grande craque do Brasil não se escondeu. Mas errou bastante.


GOAL Por Tauan Ambrosio 


A expectativa era gigante na Seleção Brasileira, e também na atuação de Neymar. Só que a estreia na Olimpíada não foi das melhores. Nem para o Brasil, nem para o grande craque do futebol masculino nos Jogos Rio 2016.

Empate sem gols com a África do Sul, que teve um jogador a menos por 36 minutos a partir da metade do segundo tempo.

Neymar foi o jogador que mais arremates arriscou (5) e mais acertou o alvo (3) em toda a partida. O camisa 10 foi, também, quem mais criou chances de gol (7). Só que não foi o bastante. Faltou algo a mais. A criatividade, ousadia.

O Brasil não mostrou no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, o que vinha fazendo nos treinos. Até porque treino é treino, jogo é jogo – já dizia o craque Didi. A equipe tupiniquim demorou para mostrar o ímpeto de roubar as bolas a partir do campo de ataque, e chegou a levar sustos. Principalmente no primeiro tempo.

A Seleção Brasileira teve raros momentos de bom futebol, como bem lembrou o técnico Rogério Micale em sua entrevista coletiva. Neymar também. Arriscou chutes perigosos e trocou bons passes com Luan, a partir do momento em que o gremista entrou no gramado.

Posição média do Brasil em campo deixa evidente o isolamento de Neymar (Foto: Opta)

A sua exibição foi, sim, decepcionante. Mas o grande craque do futebol brasileiro atual não se escondeu em campo. Se os números de finalizações e chances criadas foram os de maior destaque na decepcionante atuação do Brasil, o de passes deixa a desejar. Ao todo, o camisa 10 deu 67 toques na bola – menos apenas do que Renato Augusto (73) e Thiago Maia (70) -, e teve o menor aproveitamento dentre toda a equipe: 71,6%.

Toques de Neymar contra a África do Sul: concentrados na ponta-esquerda… e alguns passes errados (Foto: Opta)

Vale lembrar que o camisa 10 ficou muito mais isolado do que deveria. Abusou dos cruzamentos (10 no total) na ponta-esquerda. E não teve, até a entrada de Luan, um jogador que se aproximasse mais vezes. Neymar teve 95 minutos para trocar oito passes com Gabigol e apenas um com Gabriel Jesus.

Em apenas 35 minutos, foram sete passes com Luan.

A culpa aí é de quem? De Neymar ou de seus companheiros de ataque, que talvez por causa da ansiedade tenham deixado a responsabilidade muito mais nas costas do camisa 10?

Um pouquinho de cada coisa.

Estreias sempre são complicadas, ainda mais em um torneio jogado em casa e com a pressão que o Brasil carrega. Sensações que apenas os gigantes do futebol têm a honra de sentir. A equipe tem uma estrutura boa. O empate de hoje ficou muito mais na conta da falta de criatividade, e na ansiedade. Mas é inegável que os comandados de Micale terão que dar a resposta, em campo, nas próximas rodadas.

Se cabe uma crítica maior para a Neymar, nesta quinta-feira (04), ela aconteceu no final do jogo. Irritado, o terceiro jogador mais valioso do mundo, que já fez gol em final de Libertadores e Champions League, se desentendeu e trocou ofensas com um adversário sul-africano. Um confronto tão desleal no ego quanto na técnica. Não precisava disso, não contra um (com todo respeito) Zé Ninguém. Faltou a postura de capitão, de saber, com justiça, quais brigas pegar.


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Na estreia da Olimpíada, Neymar não fez o que todos queriam ver. Deu pequenas amostras de seu talento, e uma outra pequena de um lado seu que já atrapalhou o Brasil em um passado recente. Que sirva de lição. Ainda vai rolar muita bola antes de chegar a hora de soltar grandes críticas ou elogios à Seleção. E ao seu maior astro, é claro.


Fonte: Goal.com

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